As dores do mundo VICA

ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

As dores do mundo VICA

Claudia Miranda Gonçalves

21 de janeiro de 2020 | 10h00

Por Andréa Nery

Chegamos ao fim de janeiro de 2020!
Neste mês vi muitos posts e podcasts estimulando estabelecer objetivos, acompanhar a evolução, e dicas para ficar fiel à eles; também recebi muitas ofertas de cursos, palestras, planners e aplicativos para ajudar nesta missão…
Em dezembro, eu já havia entrado na onda, e dei às minhas sócias, lindos “moleskines” feitos à mão, pensando que poderiam anotar seus objetivos!
Desta observação nasceu uma inquietação: O que estamos buscando? Que dor é esta que estamos precisando curar? Por que insistimos em técnicas e ferramentas para alcançar objetivos?
Me ocorreu que estamos vivendo tempos em que as mudanças ocorrem muito rápido e que somos surpreendidos pelo inesperado… Temos tanta informação disponível, que nos chega tão rápido, e nem sempre ela é útil e verdadeira, que nos perdemos na dúvida sobre o que faz sentido… Já não somos capazes de prever os impactos da tomada de decisão, pois as coisas estão cada vez mais conectadas e são interdependentes, e as diferentes perspectivas geram múltiplas interpretações…

Tomar decisões para alcançar objetivos é o que fazemos o tempo todo! Mas, estamos tão acelerados que não refletimos sobre o sentido do que realmente alcançamos, só vamos fazendo mais, e mais.

Com a chegada do fim do ano, o ritmo das festas, os muitos estímulos da mídia, entramos em um estado de reflexão que ao olhar onde chegamos ficamos, por vezes, sem entender para onde estamos indo, frustrados…
Para seguir em frente, e iniciar o ano cheios de esperança, nos deixamos capturar pelas ofertas que vão se apresentando e que injetam energia no nosso dia.
Será que é assim que vamos curar as dores no mundo VICA?
Parece que estamos entrando na farmácia e comprando um remédio, um que já usamos outras vezes, recomendado, disponível com facilidade, e que nos aliviará rapidamente para logo seguir em frente. E claro, não lemos bula ou recomendações.

Quantas vezes você já parou e se sentiu frustrado, infeliz ou perdido? E quantas vezes você usou um “remédio” para aliviar os seus sintomas?

Já tomei muito “remédio”, mas me lembro de quando fui ao “médico” e consegui entender a diferença de tratar o sintoma e de curar a doença!
No meu caso, para curar a doença descobri a importância de ser mais flexível, mas com mais flexibilidade precisei encontrar um equilíbrio para não me perder… Nesta “consulta” fui questionada sobre minha razão de ser. No início eu pensei que era uma questão de entender o que eu gosto e o que eu sei fazer bem.
Mas se fosse simples assim…
Precisei de outras “consultas” para descobrir a diferença que eu poderia fazer no mundo e o que eu faria independentemente de qualquer recompensa. Juntado estas perspectivas comecei a avaliar melhor minhas necessidades e questionar se estariam alinhadas ao meu propósito, ao que me traria felicidade, e assim comecei a mudar minha relação com os resultados e os impactos das minhas decisões. E navegar mais tranquila no mundo VICA.
As decisões ficaram conscientes, os objetivos mais claros, e as frustações diante das mudanças e das adversidades diminuíram, meu fluxo de energia melhorou.

A verdade é que para tratar a doença precisamos ir mais fundo, remédio de prateleira pode amenizar os sintomas, mas é o remédio amargo e a mudança de hábito que vai curar.

Tenho minha forma de estabelecer objetivos e adoro “moleskines”, mas o que me mantem, feliz, saudável e com muita energia é ter consciência do meu propósito e tentar vive-lo no meu dia a dia!
Pra você, que buscou uma técnica ou uma ferramenta, gostaria de lembrar que “Se persistirem os sintomas, procure o seu médico.”!

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