As lentes para observar o horizonte

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As lentes para observar o horizonte

Claudia Miranda Gonçalves

07 de abril de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

Nas últimas semanas tomamos várias decisões sob uma nova condição.

O contexto tem colocado a todos em um nível de stress elevado.

São tempos sem precedentes. Sem dúvida estamos diante de uma disrupção!

O vírus nos forçou a mergulhar em nós mesmos e nos mostrou o impacto de nosso comportamento. Nos fez conscientes de como cada um de nós individualmente e coletivamente é capaz de mudar o sistema.

De três meses atrás, quando pela primeira vez se falou sobre a existência de um vírus na China, até hoje, contabilizamos milhões de infectados, milhares de mortos.

Foram altos os investimentos na construção de estruturas de saúde, e surgiu uma corrente global de colaboração para busca de soluções que suavizem as projeções futuras.

Descobrimos que é preciso fazer sacrifícios pessoais, para o nosso bem, mas principalmente para o bem do todo. Estamos aprendendo o funcionamento de um sistema complexo.

Está ficando claro que a atitude de um importa!

Neste contexto podemos paralisar, e nos distanciar uns dos outros, isolados, amedrontados e com raiva, ou, seguir em frente, caminhar dando suporte, nos ajudando com coragem e despertando a curiosidade e compaixão.

A lente que escolhermos é que vai nos ajudar a identificar o que surge no horizonte. E é a qualidade desta escolha que vai guiar nossas respostas.

As mudanças externas exigem um ajuste para ativar nossos recursos internos.

A nova rotina mostra que mais da metade das reuniões que ocupavam as agendas não eram necessárias, que é possível impactar o meio ambiente de forma mais eficaz com uma quebra de paradigmas.

Esta rotina muda a qualidade dos relacionamentos: os contatos acontecem com quem importa, o assunto é sobre o que vai fazer a diferença.

E assim, a cada dia, temos nos deparado com a questão do que é essencial.

E como cada dia é diferente, todos os dias revisitamos o que realmente importa.

Este tempo pode servir para despertar nosso potencial máximo. A medida que começarmos a sair de nosso casulo, nos reconheceremos borboleta, se soubermos deixar para trás aquilo que já não nos serve.

E quando tivermos novamente a liberdade de voar, olharemos para tudo de forma diferente, entenderemos o valor da transformação digital, o poder da inteligência artificial, o risco dos ataques cibernéticos, a marca que comunga com o que é essencial para nós.

Com uma consciência sistêmica maior aprenderemos a questionar qual a proposta de valor do que desejamos consumir. Por necessidade buscaremos novas formas de negociar, e testaremos e aprenderemos em tempo real.

O mesmo vírus que tira temporariamente nossa liberdade, nos abre caminhos e possibilidades para reinventar, reformular, reimaginar o futuro.

Compreendido e aceito o stress, se quisermos olhar para o horizonte e começar a pensar no futuro alguns passos podem fazer a diferença:

  • Foco no que é essencial.
  • Esvaziar-se de qualquer certeza.
  • Diminuir o ritmo atuando no que importa.
  • Pausar para sentir o que é necessário.
  • Observar para identificar o que está surgindo.
  • Se abrir para o que emergir.
  • Agir confiante.

Os tempos seguirão incertos, os contextos complexos e sobrepostos, e é o movimento conjunto, de forma consciente e com intenção que vai harmonizar a nossa convivência com o ecossistema, com este vírus, e com outros que ainda virão.

Reflita sobre isso!

Nenhum de nós tem a resposta, mas todos estamos conectados e temos a escolha.

Saímos juntos de nossa zona de conforto e estamos juntos sendo confrontados: este é o chamado para uma ação coletiva.

A lente que decidirmos usar será determinante para nos abrirmos para o que está surgindo e agirmos!

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