As Lentes Sistêmicas de Decisão

As Lentes Sistêmicas de Decisão

Claudia Miranda Gonçalves

13 de novembro de 2019 | 13h28

Lentes de Decisão

Investir em um novo projeto, demitir uma pessoa, reorganizar, lançar novos produtos, relacionar-se com a concorrência, com o consumidor ou com o cliente: cada ação provém de uma decisão (mais fácil ou mais difícil; mais óbvia ou mais sutil).

Ou seja, muitas coisas começam ou terminam nelas: nas decisões.

Não sou muito de fazer checklists, mas dessa vez me rendi. Elaborei essa lista, justamente, para facilitar a tomada de decisão:

1) Amplie sua perspectiva em relação à pergunta. É comum que a pergunta sobre a qual se foca esconda uma pergunta maior, mais ampla.  Ao se conectar à pergunta mais ampla, a decisão se ordena e a nova perspectiva já torna a decisão mais clara.

Por exemplo, ao investir na compra de um equipamento, devo fazer leasing, ou outsourcing? Talvez o que lhe ajude a responder à pergunta esteja no contexto mais amplo: qual é o ciclo de vida estimado do produto?

2) Explore a diferença entre acertar e a possibilidade de avançar. Decidir é fazer escolhas, o que implica em “soltar” algo. Porém, normalmente, só temos vontade de decidir quando estamos seguros. Segurança pertence ao mundo das necessidades (Maslow!).

Assim, as perguntas deveriam ser: para quais necessidades você está dizendo não na escolha que pretende fazer? Há outras formas de atender a estas necessidades? Por exemplo, ao considerar uma mudança de área no trabalho, veja quais necessidades serão atendidas ao mudar e quais necessidades serão atendidas ao permanecer na área em que você já está. Assim (ao sair da comparação entre as duas opções) você poderá entender como criar alternativas para suas diversas necessidades.

3) Conecte-se com o lugar a partir do qual você decide. Esse lugar tem a ver com a sua vontade e força para agir com a sua mente. Então, qual intenção alimenta cada uma das opções? Nada mais poderoso e transformador do que conectar-se genuinamente com o lugar a partir do qual se atua.  Imagino que você já tenha vivido uma sensação de que tudo em você – mente, coração e ação – se tornaram um; é desse lugar que estamos falando aqui.

Assim, busque uma lembrança de algum momento e conecte-se com esta SENSAÇÃO. Aonde ela aparece mais fortemente em seu corpo? Use essa sensação como um indicador somático na tomada de decisão.

4) Coloque-se no lugar de seus stakeholders ou das pessoas a quem a sua decisão afetará de alguma forma.  Quais as pistas vindas a partir de cada uma dessas vozes?  Buscar entender a sustentabilidade de sua decisão é muito importante, assim como refletir sobre os efeitos, antecipar obstáculos e pensar em ações preventivas. Colocar-se nos sapatos dos outros ajuda tanto na estratégia da comunicação como nos ajustes da decisão.

5) Revele seus próprios padrões: Uma pergunta bem estranha: com quem você se parecerá menos em cada uma das opções? É sempre bom saber de quais padrões você se afasta a cada escolha. O ponto aqui é como CONSERVAR a conexão, ao invés do padrão (forma).

Eu sei que o checklist acima não elimina as tensões que antecedem o momento da tomada de decisão, mas o exercício, pelo menos, poderá trazer mais alinhamento para suas ações subsequentes.

Fez o checklist? Confie.

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