As regras do jogo

As regras do jogo

Claudia Miranda Gonçalves

19 de outubro de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Cada vez mais CEOs, empresários(as), lideres de mudança estão buscando ferramentas para acessar informações e visualizar as relações que estão atuando nos seus desafios de negócio.

Através de dinâmicas sistêmicas vi recentemente: o CEO de uma multinacional identificar ações que não estava prevendo para viabilizar sua operação; a CEO de uma empresa de embalagens trabalhar o conflito entre diretorias e identificar como atuar para melhorar o fluxo das decisões; uma empresária desenvolvendo dois projetos ter clareza para definir o que melhor atenderia as condições de seu contexto atual.

Uma característica comum nestes lideres é a abertura para desafiar seu ponto de vista sobre a situação. Estão sempre buscando a ampliação da visão das complexas relações que envolvem suas decisões. Eles rompem padrões e crenças e colocam em prática ações que refletem necessidades vivas dos seus negócios.

O entendimento do pensamento sistêmico complexo é o inicio do caminho destes lideres para poder olhar com confiança para suas questões através de lentes diferentes, e assim definir um passo relevante para seguir em frente.

Para eles vai ficando claro que a visão cartesiana não atende o ambiente da tomada de decisões. Ela traz a crença no certo e errado, uma atuação de causa e efeito limitada, e promove a busca da perfeição: o chefe perfeito, o produto perfeito, a empresa perfeita… Nela nossos julgamentos se tornam a bússola para busca de soluções, e nos tornamos muito críticos e fechados.

Para compreender o pensamento sistêmico complexo começamos observando que um sistema é formado por duas ou mais pessoas que se relacionam para alcançarem algo em comum. E, para atender nossas necessidades, nós nos relacionamos o tempo todo em diferentes sistemas: nosso sistema familiar, do trabalho, de amigos…

Pensem em um sistema formado por jogadores e uma bola, podemos ter um jogo de futebol, basquete, vôlei… o que realmente define o jogo são as regras, pois a partir delas o comportamento dos jogadores será diferente para alcançar os objetivos.

Assim com em um jogo, o que importa em qualquer sistema são as regras vigentes, pois elas são a base para as relações.

Mas, as regras não são só as claramente definidas, também temos que considerar as regras resultantes do funcionamento do ser humano.

Como seres humanos somos limitados, nossa visão é resultado de nossa perspectiva pessoal da realidade, e por isso precisamos nos abrir para perceber outras realidades. Também somos influenciados pelos nossos contextos, quando nos falam que há dificuldade para mudar um processo na organização, parece que nossa atenção se volta para isso e todas experiências que vivemos reforçam e fortalecem esta ideia.

Imaginem agora uma situação onde uma pessoa da equipe é demitida, alguns pensam “Realmente não estava engajada e contribuindo para o trabalho.”, outros “Foi uma injustiça, o gestor não valorizava sua contribuição.”, ou ainda “Este é só o começo de uma demissão em massa na área.”, a realidade é que, ainda que a comunicação seja a mesma, a perspectiva individual de cada pessoa vai gerar comportamentos e afetar regras implícitas que impactam o sistema.

Se somos capazes de compreender o pensamento sistêmico, entendemos que cada caso representa uma perspectiva e que o contexto e as regras fazem a situação ser perfeita como é.

E assim, sem buscar a perfeição cartesiana, através do entendimento dos elementos e regras atuantes, o processo de tomada de decisão muda completamente. Quando sabemos observar as regras não nos submetemos a elas, pois temos clareza do que está a nossa disposição para responder as necessidades emergentes.

Não é por acaso que os lideres mais conscientes da complexidade que envolve os sistemas estão buscando alternativas para ampliação de visão.

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