Atitudes para fazer a diferença

Atitudes para fazer a diferença

Claudia Miranda Gonçalves

02 de março de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Este mês de março quando comemoramos mais um Dia Internacional da Mulher quero refletir sobre as decisões que estamos tomando para dar espaço ao crescimento da liderança feminina.

Como em outros anos, veremos propagandas de impacto, reportagens com mulheres de destaque, e palestras mobilizadoras que aquecerão o coração…

Mas, diferente de outros anos, precisamos de novas atitudes para que no futuro este dia seja comemorado pelos resultados efetivos e aceleração da equidade!

Em setembro de 2020 a McKinsey e o LeanIn.org apresentaram os resultados da pesquisa Women in the Workplace 2020, que chamam atenção para o grande impacto que a crise gerada pela pandemia causou no avanço das mulheres no ambiente de trabalho:

  • As mães têm duas vezes mais probabilidade do que os pais de se preocupar com o fato de que seu desempenho está sendo julgado negativamente devido às suas responsabilidades de cuidar.
  • 3 em cada 10 mães pensaram em mudar de carreira ou deixar a força de trabalho por causa da Covid-19, e as mães têm muito mais probabilidade do que os pais de pensar em seguir esses passos.
  • As mulheres de nível sênior têm 1,5 vezes mais probabilidade do que os homens de nível sênior de pensar em mudar de carreira ou deixar a força de trabalho por causa da Covid-19, e quase 3 em cada 4 citam o esgotamento como motivo principal.

O esgotamento físico e emocional afeta a todos, mas os impactos maiores nas mulheres refletem que os passos para a mudança de comportamento eram lentos, e não estavam consolidados.

Por muitos anos, nós mulheres, carregamos o peso de sempre ter que exceder expectativas, e escondemos nossa vulnerabilidade por aversão aos julgamentos no ambiente de trabalho. Estruturalmente as mulheres estão em trabalhos mais precários e com remuneração inferior e a cultura instituída pressionou para que agora a mulher cedesse mais espaço para cuidar.

As novas condições estabelecidas por conta da pandemia exigem mais flexibilidade e muito mais autonomia no ambiente de trabalho. E assim como os níveis de controle têm que ser reduzidos, a clareza de papéis, expectativas e objetivos de cada um deve aumentar.

Em meio a tecnologia, ninguém precisa sentir que tem que estar disponível a qualquer hora, ou que terá seu comportamento julgado negativamente por responsabilidades de cuidar. Tais exigências aumentam significativamente o nível de estresse para qualquer pessoa e as mulheres, pelos dados apresentados, sofrem com estresse, ansiedade e incertezas mais que os homens.

É necessário criar espaços para diálogos abertos onde todos se sintam seguros para compartilhar os desafios que estão enfrentando.

Aos homens, ao invés de trabalhar intensamente de maneira remota, manifestem no ambiente de trabalho aos seus empregadores, que vivem novas condições que exigem sua responsabilidade para cuidar de suas casas e apoiar as mulheres que ali trabalham, reconheçam a necessidade e importância de seu apoio.

Aos empregadores, recomendo uma revisão concreta de suas práticas com atitudes claras e amplas para reverter este quadro. Alinhem os desempenhos e expectativas com a nova realidade, para gerar um ritmo de trabalho que seja sustentável para mulheres e homens que enfrentam esgotamento.

Ao falar de produtividade, saúde mental, inclusão, mais do que palestras, lembrem de rever os limites da vida profissional e envolver a todos em um processo que acelere a diversidade e inclusão.

Os atuais padrões de comportamento não nos servem mais, nossas crenças e nossos vieses não são a resposta para promover o crescimento da liderança feminina que precisamos.

A crise nos desafia a sermos ainda mais velozes e intencionais nas mudanças que precisam acontecer, não podemos nos esconder em gestos débeis e perder esta batalha.

Este ano temos TODOS que nos unir em atitudes POR ELAS!

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