Autorregulação para Cuidar de Você

Autorregulação para Cuidar de Você

Claudia Miranda Gonçalves

19 de julho de 2022 | 14h21

Por Andréa Nery

No mercado o termo autorregulação se refere à capacidade que uma entidade estabelece de regular a si própria através de regras para controlar processos relevantes e vitais a sua existência. Para isso ela utiliza seus recursos internos e atua de forma preventiva evitando a intervenção externa em estágios iniciais.

A autorregulação exige alguns cuidados, já que pode ser motivo para conflitos de interesses, onde situações que necessitam de intervenção externa podem ser negligenciadas gerando crises relevantes e até mesmo fatais.

Em tempos de elevados níveis de stress e grande aumento de casos de burnout entender e transcender o conceito de autorregulação do mercado para poder levá-lo a prática do dia a dia pode ajudar muito a promover uma transformação na forma de nos relacionarmos com vários temas e pessoas.

O mundo seguirá sendo VUCA[i], potencializado pelo que vivemos nos últimos dois anos, e a tensão fará parte do nosso cotidiano, nos resta então entender como buscar fluidez e desvelar padrões fechados que não nos atendem mais.

Para lidar com a complexidade é necessário desafiar o pensamento linear e ampliar a visão de impacto.

Por muito tempo estivemos “cegos”, não por não poder enxergar, mas por seguir usando lentes que serviam a um normal que já não nos servia mais.

A troca das lentes para viver o “alter normal” está acontecendo, para alguns será quase imperceptível, para outros será impossível sem intervenção externa. O certo é que todos seremos afetados!

Como no mercado, para evitar uma crise, cada pessoa precisa desenvolver uma forma própria de monitorar e agir prontamente. Gostaria de compartilhar uma prática que me ajuda a perceber o que está acontecendo comigo em situações de pouco controle.

Usando seus recursos internos, crie uma “régua” de alerta e identifique experiências diferentes para calibra-la de forma a definir quando a ajuda externa deve ser solicitada. Lembre-se que o maior risco é ser negligente!

Pergunte-se: Quanto sou capaz de articular um pensamento e focar em um assunto? Quanto consigo sentir a aceleração de meu coração? O que ela está me dizendo? E quanto sou capaz de perceber minha respiração e meus movimentos?

Pensamentos interrompidos e sem foco, batidas rápidas do coração, movimentos agitados, são sintomas que isoladamente ou em conjunto, me colocam em alerta para disparar uma avaliação que ajuda na retomada da consciência necessária para ação.

Primeiro, devo entender que estou viva! Sim, respiro e trago a atenção para o presente. O que está vivo em mim neste momento? Esta pergunta permite que eu me conecte com meus sentimentos e necessidades diante da situação.

Depois, preciso avaliar que estou segura! A busca pela segurança me obriga a observar o ambiente externo: onde estou, o que acontece e quem está envolvido. O que está vivo no outro? Através do contexto compartilhado e das experiências presentes, entendo minha possibilidade de atuação e a necessidade do outro.

Por fim, identifico minhas conexões!  As conexões me mostram que não estou sozinha, que pertenço a um grupo, e que este grupo pertence a algo muito maior. Com presença e entendimento do contexto o pertencimento me permite ter mais clareza para tomada de decisão.

Também mantenha uma lista do que lhe relaxa e traz para o estado presente: um lugar, um objeto, uma pessoa, uma música… Tenha tudo isso antes de ter problemas.

Eu guardo isso comigo, são recursos externos que posso acessar rapidamente para me regular.

No contexto que vivemos consigo trazer o meu melhor quando alinho meu pensar, sentir e querer. Desta forma me sinto preparada para errar e estar vulnerável.

Tenho certeza que criar uma forma de autorregulação irá lhe ajudar a seguir em frente com um novo olhar para você mesmo. Vem comigo!

 

[i] VUCA – Volátil , Incerto, Complexo, Ambíguo

Baseado em texto originalmente publicado no perfil https://www.linkedin.com/in/andrealnery/ em 09/07/2020.

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