Check up – Examine sua Empresa

Claudia Miranda Gonçalves

26 de março de 2019 | 10h09

Para você que chegou agora, estamos fazendo uma lista de exames clínicos práticos e eficientes para alinhar seus projetos e/ou a sua empresa. No texto anterior, explicamos em detalhes os 3 primeiros exames. Hoje, vamos conversar sobre outros três exames importantes. Vamos começar recapitulando:

Exame número 1: Fluxo de O2

CONECTE O QUE ESTÁ DESCONECTADO

Pergunte:

Onde a informação não está chegando e por que este conhecimento não está sendo compartilhado?

 

Exame número 2: Fator anticoágulo.

OS SISTEMAS SÃO IMPREVISÍVEIS.

Pergunte:

O que é preciso mudar já e qual é a menor ação que posso fazer para criar a maior mudança?

 

Exame número 3: Batimentos Cardíacos

CRIE CONDIÇÕES PARA O ENGAJAMENTO DE QUALIDADE.

Pergunte:

Quais são os nossos valores que sustentam esse engajamento e como posso influenciar o sistema acessando estes valores?

 

Tudo revisado, vamos então passar para a próxima batelada de exames.

 

Exame número 4:  Índice de anticorpos

 

Todos nós sabemos que os anticorpos são proteínas que atuam no Sistema Imunológico como defensores do nosso organismo. Os anticorpos bebem do  “veneno” do invasor para nos proteger, ou seja, aprendem a reorganizar o sistema com as informações novas que o invadiram. E o mais legal: é com este aprendizado que os anticorpos conseguem manter a sustentabilidade do todo.

Assim, também, deve acontecer com nossos projetos e nossas empresas. Precisamos estar sempre alertas para o que chega e o que sai dos nossos sistemas e dos subsistemas, checando os fluxos e os compartilhamentos de informações. O objetivo é sempre estabelecer o equilíbrio. No entanto, não podemos parar por aí. É importante, também, estarmos dispostos a reforçar os padrões que criam sustentabilidade, pois são eles que promovem o bem-estar da organização. Feito isso, aí sim você pode tentar resolver as causas dos problemas focais. Então, faça como os anticorpos: pense no todo e evite disputas e perda de energia desnecessárias.

Resumindo:

REEQUILIBRE OS FLUXOS PARA CRIAR SUSTENTABILIDADE.

Para fazer este exame, pergunte:

Como estão nossas fronteiras? O que entra e o que sai está ajustado ao que o sistema precisa? Qual padrão precisa ser reforçado em benefício da sustentabilidade do sistema?

Feito isso, é hora de passar para o próximo exame.

 

Exame 5: Hemograma

 

Acredite, a sua empresa é uma rede interligada e descentralizada em constante transformação, onde todas as partes (as grandes e as pequenas) são essenciais para o todo.

Assim também é o nosso organismo e, vez por outra, podemos ser surpreendidos com, por exemplo, uma inflamação causada por algo novo que entra no nosso corpo. Quando isto acontece, fazemos um hemograma para detectar esta “rede emergente” em ação e agimos prontamente para reorganizar o sistema. Nem sempre, precisamos tratar a inflamação, não é mesmo? Às vezes, basta esperar e observar.

Isto é, também, o que devemos fazer quando detectamos redes emergentes nas nossas empresas.  Primeiro, devemos observá-las e depois entendê-las como respostas (conscientes e inconscientes) do sistema. Este aviso de que algo novo está em ação no sistema e que ele precisa da nossa atenção é um estímulo para agirmos nas mudanças de forma mais estruturada e corajosa.

Com o exame em mãos, podemos decidir se vamos calar ou amplificar a rede emergente. Então, fique alerta! Pode estar, no hemograma, a chave para a inovação. Em outras palavras, o que você precisa fazer é:

ENXERGAR AS REDES EMERGENTES.

Para executar o exame com eficiência, pergunte:

Esta rede emergente responde a qual desafio? Ela precisa ser calada ou amplificada?

Por fim, nosso último exame de hoje.

 

Exame 6: Sinapses

É fácil falar do que se vê, não é mesmo? Difícil é pensar sobre o que não se vê, não se toca; não se tange. Pense nas sinapses cerebrais: estruturas microscópicas que formam conexões sempre que um novo aprendizado acontece. É fascinante pensar na perfeição e engenhosidade do funcionamento do cérebro, não é mesmo? Tudo meticulosamente sincronizado e sistêmico. E este mesmo fascínio, a gente transfere para nossas relações de trabalho.

Acredite, quando começamos a entender que não podemos olhar só para os agentes e nem criar soluções para problemas isolados, aumentamos nossa chance de fazer sinapses produtivas, levando em conta o impacto de todos os envolvidos. Parece magia, mas é ciência. Além disso, quando entendemos tudo isso, conseguimos enxergar que os sistemas se movem entre diferentes graus de estabilidade e instabilidade. A partir disto, é só aprender a buscar o equilíbrio entre estas duas forças, sabendo que estabilidade demais (ordem) inibe o crescimento e que instabilidade (desordem) em excesso desanda a receita. Interessante e engenhoso como as sinapses, não acha? Só que a melhor coisa vem agora:  tudo isso nos ensina e nos lembra que momentos que beiram o caos podem ser aqueles que trazem as mudanças mais criativas. Ou seja, o que você precisa é:

OLHAR, TAMBÉM, PARA O INTANGÍVEL E BUSCAR A COERÊNCIA NO CAOS.

Para isso, você deve se perguntar:

O que não está dito? O sistema está mais estável ou mais instável? Onde preciso agir para buscar o equilíbrio dinâmico?

Bom, então, você já conhece os seis primeiros exames. Ainda faltam 3, aguarde o texto final. Estamos quase lá.  De coração, obrigada por acompanhar nossa série de textos sobre este Check-up.