Como deixar ir o que já não me serve?

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Como deixar ir o que já não me serve?

Claudia Miranda Gonçalves

01 de setembro de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

Em meio a tantos desafios tenho me visto frequentemente fazendo reflexões sobre como posso estar preparada para um estado de realidade sempre novo.

Acordar todos os dias com a energia para fazer, não qualquer fazer, mas o fazer necessário para o aqui e agora.

Não tem sido fácil neste caminho entender o que já não me serve, que atitudes estão enraizadas e são o fruto de decisões automáticas que tiveram seu valor em outros contextos.

O trabalho de muitos anos em área de gestão de risco me faz observar os fatos, e entender que não existem certezas, mas probabilidades. Porém, os antigos esforços em planejamento e controle ainda me tiram do momento presente.

Participei de um projeto neste último mês que de forma bem prática e profunda fortaleceu e deu mais clareza sobre atitudes que são fundamentais para que o espaço de criação esteja sempre aberto para atender o que de novo está chegando.

É isso que tenho feito todos os dias, criar e me reinventar para o que está surgindo. Isso é o que permite uma navegação mais fluída na realidade de hoje.

Por meio da Teoria U e do Teatro da Presença Social, metodologia e componente experimental desenvolvidos por Otto Scharmer e Arawana Hayashi, pra trabalhar processos de transformação, analisamos como trazer valor e sustentabilidade para um produto importante do grupo.

Em 5 reuniões trabalhamos a jornada U de esvaziamento, conexão, e ação a partir do que emerge, e a cada reunião aprimoramos habilidades que levaram a propor ações representativas, e eficazes para a questão.

Entre as competências mais relevantes que usamos está a escuta, dificilmente vemos esta competência mencionada nas organizações, mas atuar em um entorno volátil exige que ela seja desenvolvida.

A jornada U acontece com alto grau de atenção para a escuta: a escuta aos outros e a si mesmo.

O uso das sensações do corpo, do espelhamento e de palavras diretas e espontâneas estimula a prática do ouvir. Um ouvir além das frases automáticas e longas que são utilizadas como fruto da elaboração mental que atende padrões comuns na nossa cultura.

Neste trabalho, a escuta mostrou que um termo usado pelo grupo causava desconexão com público alvo e que era preciso quebrar este paradigma interno.

A observação foi outra competência muito importante. Com um foco em perguntas generativas a Teoria U estimula a observação dos gestos, da respiração, do movimento do coletivo e assim contribui para aumentar a consciência sobre a voz interna que precisa ser silenciada para então focar atenção ao fato, ao que está ocorrendo.

Em um movimento de confiança, o grupo observou que a expansão do seu produto requer a integração de polos opostos presentes na comunidade e que respeitar as velocidades diferentes mantém o produto alinhado com a essência.

De diferentes formas o uso da Teoria U estimula a percepção dos detalhes dos acontecimentos e das sensações e desenvolve a presença.

Com presença a ação se torna mais eficaz e direta, voltada às questões-chave dos conflitos, e normalmente leva a uma situação em que é mais fácil visualizar a solução.

O resultado final foi gratificante, as iniciativas que emergiram serão levadas à campo para experimento, um resultado da integração da palavra, pensamento e ação do grupo, e o comprometimento, a confiança e a energia para seguir adiante foram potencializadas.

Estas três competências abrem caminhos para lidar com um estado de realidade sempre novo. Elas aumentam percepção, e dão ritmo ao movimento de focalizar e ampliar gerando fluidez nas ações coletivas.

Mudar exige coragem, e para deixar ir o que não lhe serve e se abrir para o que quer emergir escute, observe e esteja presente!

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