Evolução: de instinto para consciência

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Evolução: de instinto para consciência

Claudia Miranda Gonçalves

28 de abril de 2020 | 10h00

instintos geram ações e movimentos rápidos

Na natureza, o instinto permite mudanças sem questionamento ou dúvidas. Uma leitura mais superficial de Darwin leva a pensar que a sobrevivência é para os mais adaptados/ aptos, levando a diversos comportamentos que justificaram competição e interesses próprios. Porém, uma visão mais precisa do que ele descobriu é que a sobrevivência vai para a espécie mais adaptada ao ambiente mais amplo. A força do instinto e aceitação de feedback e informação do ecossistema faz com que a espécie se adapte às mudanças. É o instinto que ajuda as plantas e espécies adaptar às suas mudanças ambientais e sobreviver para o futuro.  

A natureza e as pessoas são diferentes em dois pontos significativos. A natureza funciona através de instinto enquanto nós, pessoas, temos consciência, emoções e podemos expressar nossas ideias através da linguagem. A consciência nos serve bem se cultivarmos mindfulness e inteligência emocional, caso contrário, nossa consciência pode nos fechar para ideias e fatos que não estejam de acordo com nossa visão de mundo ou que possam desencadear medo e desconfiança sobre informação e feedback vindos do contexto.  

A amígdala

A neurociência concluiu que a parte cognitiva do cérebro que fica no lobo frontal está diretamente conectada à amígdala, alojada no lobo temporal. A amígdala opera como um chip de memória emocional e toda informação que vem através dos nossos sentidos passa pela amígdala antes de ser direcionada ao lobo frontal para ser racionalizada pelo pensamento. 

Assim, se não temos consciência das emoções que estão ancoradas em experiências passadas, experimentaremos o sequestro da amígdala, situação em que as emoções vão moldar e colorir os dados que estivermos recebendo através dos nossos canais sensoriais. Esse sequestro que nossas emoções provocam pode dificultar nosso pensamento racional. 

Por isso a inteligência emocional é tão importante para que de fato possamos absorver o feedback que vem do ambiente externo. Se não tivermos consciência de quando nossas emoções são ativadas e não conseguirmos gerenciá-las, desconsideraremos informações por conta das nossas emoções e não por causa do valor dessas informações. É assim também que formamos  nosso sistema de crenças e visão de mundo. Por isso o mindfulness é tão importante. É através do mindfulness que podemos aprender a perceber os gatilhos de nossas emoções e aprender a gerenciá-los de tal forma que não dificultem nossa compreensão sobre o que esteja acontecendo. 

 

Liderança, consciência, e inteligência emocional

mindfulness gera ampliação da consciência

No nosso ambiente complexo e dinâmico, é essencial conseguirmos perceber os padrões mais amplos(visão da varanda). A liderança, quando bem exercida,  ajuda as pessoas a perceber o que está acontecendo e como responder estrategicamente. Se o (a) líder não cultiva sua consciência e inteligência emocional, poderá responder via sequestro da amígdala por suas emoções pessoais, e assim colocar a sua organização em risco. 

Aqui estão algumas formas para saber se suas emoções estão interferindo em seu pensamento consciente: 

Se você ainda está pensando numa situação após 20 minutos de sua ocorrência, pode ser que suas emoções estejam controlando seu pensamento racional.  Crie um gatilho mental simples quando isso ocorrer, que lhe permita refletir o que faz com que você ainda esteja colocando energia nesta conversa / evento. Provavelmente você achará algo em sua experiência passada que está dando uma assinatura emocional para a situação presente. Se conseguir nomear as emoções e a situação passada semelhante à situação de agora, você conseguirá desconectar as duas e sair do sequestro emocional.   

  • Estabeleça uma prática de meditação  que treine sua mente a pensar com mais clareza. Isso ajuda em sua própria conscientização e por sua vez ajuda a perceber suas emoções, e então a gerenciá-las.  
  • Perceba seus movimentos oculares. Se começar a olhar para baixo e para direita, provavelmente está buscando suas emoções. Ao notar essa atitude, pergunte-se quais emoções estão emergindo e o que está sendo acionado na conversa / situação. Isso aumentará sua percepção de suas emoções e você poderá começar a gerenciá-las. 

Espero que esses primeiros passos ajudem no cultivo da consciência, pois esta, diferentemente dos instintos, precisa ser adubada, nutrida e desenvolvida. 

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