Constelações Estruturais

Constelações Estruturais

Claudia Miranda Gonçalves

03 de abril de 2017 | 15h20

Cartagena, de 1 a 5 de março de 2017.

turma

Pela segunda vez tive a oportunidade de atender ao módulo de constelações estruturais  com Insa Sparrer e Matthias Varga von Kibed.  Minha primeira identificação com este casal encantador e genial é a conexão com matemática e psicologia.  Diversas vezes recebi olhares de espanto por ter trocado engenharia por psicologia, tipo “são áqua e óleo”…não se misturam.

 

Insa e Matthias aproximaram estes mundos de maneira consistente e íntima através das constelações estruturais.   Do lado da psicologia, como funcionamos, nossa fisiologia, emoções, pensamentos. Do lado da matemática, a busca pela abstração (o universal em cada manifestação). Dessa junção, o casal buscou criar uma gramática – as constelações estruturais – que pudesse permitir a expressão de inúmeros conteúdos.

 

A constelação ou, como eu e outros facilitadores temos chamando, visualização sistêmica, tem aplicações em diversos campos: pessoal, saúde, sonhos, empresarial, desenvolvimento de produto, equipes, liderança. Começamos com a entrevista para definirmos os elementos envolvidos no tópico. Seriam os ingredientes que compõem a situação.  Durante a constelação buscamos ver as relações entre estes elementos, que são parcialidades.

 

Parcialidades multidimensionais.  Este termo fantástico nos ensina a ter não só o pensamento e visão sistêmicos, mas também a atitude sistêmica: tomar seriamente todas as partes.  É apenas com esta atitude de parcialidade com todas as partes que o facilitador em uma constelação pode cumprir seu papel de ajudar a ampliar a visão do cliente.

 

A matemática nos ajuda a manter em mente que precisamos adequar o nível de simplicidade. No papel de  facilitadores, não devemos multiplicar possibilidades sem necessidade.  Assim, devemos nos lembrar de não acrescentar elementos antes de precisarmos.

 

Na ponta da psicologia, o casal lança o conceito de linguagem transverbal, em que as diferenças são menos importantes (isso tem a ver com conteúdo) pois estamos lidando com padrões universais: o corpo entende antes da linguagem (o impacto de algo chega primeiro no corpo e depois no centro de linguagem do cérebro).

 

É a linguagem transverbal que permite que representantes (pessoas que aceitam representar elementos nas constelações) deem voz aos elementos. Os representantes vibram (imagine a água vibrando com alguma música ou som). Vibrar não é conhecimento, mas antes estar em RESSONÂNCIA  com o tópico. O processo de viver tem como base estar em ressonância através dos neurônios espelho. Há muitos neurônios espelho,  todos ligados aos nossos sentidos: auditivo, visual, tátil, olfativo…Estar em ressonância é como sentir o corpo vibrar com uma determinada música. Não requer conhecimento! Apenas um ritmo similar. E essa vibração é abstrata. É neste ponto que a psicologia e a matemática se encontram, quando entendemos que há uma abstração que pode ser vivida no corpo, assim como o corpo reage inteiro com uma música.

 

claudia

Além desta visão estrutural e integradora da nossa experiência enquanto mente, corpo e emoção, as constelações estruturais adotam uma abordagem de foco na solução.  Parece óbvio, natural, mas acredito que muitos ficam pensando no problema imaginando que de fato estão à busca da solução.  Mas problema e solução pertencem a mundos diferentes.

Nas palavras de Matthias,

O problema é uma certa correlação entre os elementos e pode ser variável pelas  posições.

As posições são as nossas lentes, de como vemos a situação. Se olhamos por um determinado ângulo, formamos uma imagem do problema.  Neste sentido, as intervenções visam tornar as relações melhores. O facilitador deve agir de tal forma a aumentar as possibilidades para as diversas partes (imperativo cibernético).

 

Se mudarmos de ângulos, não dá para antecipar o que vem. Quais são as relações? Como estão?

 

Embora não possa mudar o que ocorreu, pode mudar o relacionamento com o que ocorreu.

 

Não de trata de saber como algo é, mas sim de saber como é a sua relação com aquilo, pois é esta relação que pode ser modificada. O trabalho de constelação ajuda a olhar diferente!

Então terminamos com Samuel Beckett, em Worstward Ho:

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