ctrl+alt+del

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Claudia Miranda Gonçalves

13 de abril de 2022 | 11h56

Como usuária de tecnologia, assim como muitas pessoas, sei como resolver quando algum programa ou mesmo o meu computador trava: ctrl+alt+del  – ou reiniciar. De alguma forma, funciona! Parece que o reiniciar dá uma chance ao sistema de se restabelecer e se tornar funcional novamente. Algumas vezes o bug é tão grande que é necessário fazer um reset e redefinir tudo novamente e nem sempre fica igual ao que era antes. O que não muda aqui é que nós e nossas extensões tecnológicas continuamos no jogo, mas redefinimos funções, etc.

Em um âmbito organizacional, a redefinição ou reset¹ é uma transformação bem radical: as pessoas em um time ou em uma organização, um sistema independente de seu tamanho – ficam juntas apesar dos padrões de relacionamento seja com o mercado, seja com outras áreas internas (quando um programa no computador não funciona de acordo) se tornarem insustentáveis. A redefinição nos exige o compromisso de ficarmos juntos e superarmos os padrões de relacionamento que não mais funcionam, tarefa difícil, pois normalmente os padrões são parte do contexto invisível em que estamos mergulhados, e começar, sem tantos apegos.

Por mais difícil que seja, o reset é factível. Seria como modelar o que acontece em startups: Há uma tese inicial que vai sendo testada e ajustada ou derrubada ao longo da trajetória por um grupo de empreendedores. Os investidores acreditam na ideia mas principalmente na qualidade das pessoas que ali estão para trazer algo potente ao mundo. O que une a todos é trazer a potência ao mundo, ou seja, dar vida a algo.

Precisamos lembrar que somos criaturas que vivem em comunidade e isso tem a ver com nossa sobrevivência e potência. E de tempos em tempos, precisamos fazer umas faxinas em casa.

 

 

O reset tem elementos importantes que eu gostaria de chamar atenção:

  • Cuidado com o apego a um passado que não faz sentido no contexto de agora.
  • Podemos “matar” projetos, modificar objetivos, mudar relações, fornecedores, mercados…
  • Não podemos excluir ou ignorar os stakeholders, pois eles vão aparecer em algum outro lugar da equação, mas antes transformar relações de forma digna.
  • Convida a nos tornarmos mais conscientes sobre quais as músicas que estamos dançando, quais os padrões de relações que já não se sustentam e quais os novos passos que podemos testar juntos.
  • O compromisso de ficarmos juntos traz dignidade, pois cada um precisa ir além de si mesmo e dar suporte a outros.

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¹Citado por Jan Jacob Stam em seu key not speech no Systemic Leadership Summit 2020

 

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