Desacelerando

Desacelerando

Claudia Miranda Gonçalves

21 de dezembro de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Algumas vezes, só o que precisamos é parar, sentir e deixar que tudo se desenrole.

É incrível como no nosso dia a dia somos o tempo todo convidados a estar em atividades muito intensas. Ficamos ligados em redes e expostos aos mais variados ruídos que acabam por reforçar padrões de comportamento que favorecem um ritmo acelerado e, muitas vezes, distante do que realmente importa para nós.

Temos filmes, músicas, podcasts e livros à nossa disposição 24 horas do dia. Podemos nos comunicar com pessoas de qualquer lugar do mundo a qualquer momento, e não existe assunto que não possa ser pesquisado e explorado ao alcance de nossas mãos.

E, assim, sem prestarmos atenção, vamos nos envolvendo e colocamos nossa vida no piloto automático, seguindo em frente na ilusão de que temos o controle.

Perdemos a intimidade com o silêncio, a quietude e a solidão, que têm o poder de trazer a força interior para nossa vida.

Mas alguns momentos, mais do que outros, nos convidam a experimentar este mergulho profundo. É quando entramos em contato com sentimentos fortes de desconforto ou bem-estar que podem revelar necessidades e caminhos, mensageiros essenciais do nosso coração.

Diante destes momentos, precisamos aceitar o convite para deixar de lado a correria do dia a dia, a pressa que nos cega e nos tira a presença, e desacelerar.

Desacelerar para prestar atenção no mundo; para treinar o olhar a observar os sinais mais sutis e a escuta para identificar além das palavras; para ouvir o coração que pode acalmar, inspirar e elevar o espírito.

O final do ano é um destes momentos especiais em que podemos escolher parar. É uma escolha que cabe a cada um e que não é necessariamente fácil: afinal, os estímulos externos não cessarão e a abundância de informação e contatos vai seguir disponível.

Nós é que precisamos saber o por quê, ter clareza para fazer a escolha e tomar um caminho.

Eu vou aceitar o convite para poder conectar comigo mesma. Vou para um dos meus lugares favoritos, deixar de lado celulares e redes, ouvir música e dançar, ler um bom livro de história, agradecer e deitar na rede pra sentir o dia passar.

E vou também me conectar com as pessoas a minha volta, fazer refeições demoradas, dar boas risadas e chorar. Vou ouvir e contar “causos” e lembrar de histórias com pessoas queridas que já não podem estar ao nosso lado.

Vou sentir a força da terra, caminhar descalça na areia, mergulhar no mar até ficar com os dedos enrugados e me deixar levar pelas ondas para lembrar que fazemos todos parte de um mesmo planeta.

Não quero fugir das atividades intensas, do movimento, da agitação, da informação e da abundância, mas quero estar nelas com presença e qualidade. Quero fazer escolhas em que possa ser eu mesma, trazer minha voz com consciência e deixar que meu coração assuma seu lugar.

Vou me reencontrar com o silêncio e desacelerar para me conectar. Esta é a energia que eu preciso para seguir em frente!

Mas, e para você? O que faz sentido?

Com um ano novo à frente e oportunidades de escolhas, o que você pode fazer para trazer sua força interior para sua vida?

Desejo que encontre seu “para quê” e que ele venha de seu coração, onde a sua essência manifesta-se de forma plena e é capaz de reverberar, transformando também a qualidade de tudo ao seu redor e tornando sua jornada significativa para você.

Algumas vezes, só o que precisamos é parar, sentir e deixar que tudo se desenrole.

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