Dia da Mulher

Dia da Mulher

Claudia Miranda Gonçalves

09 de março de 2020 | 09h10

 

 

 

 

É sempre uma alegria imensa receber Luciana Sato aqui no Lentes de Decisão. Ela traz de forma leve , porém não menos contundente questões humanas. Luciana advoga por pessoas mais que por mulheres.

Luciana Sato

Luciana Sato

Há alguns dias, conversando com meus filhos sobre o Dia da Mulher, Vítor, meu filho de 7 anos me perguntou quando era o Dia do Homem. Tive que explicar que era uma data simbólica porque nossa sociedade é dominada por homens e essa data era uma forma de comemorar os avanços femininos.

Para ele que ainda não vê a diferença, não faz sentido. E eu sonho o dia que não faça mesmo.

Mas ainda temos muito o que avançar. Quando vemos a história, nossas conquistas são muito recentes: há somente 85 anos temos o direito de votar e sermos votadas; há apenas 56 anos o Código Penal deixou de tutelar as mulheres casadas aos desejos e decisões dos maridos (a mulher não podia trabalhar ou viajar sem o consentimento do homem); há 29 anos temos igualdade plena na Constituição Brasileira e a Lei Maria da Penha, que protege as mulheres contra a violência doméstica só existe há 12 anos.

Não à toa, temos muitos vieses inconscientes ligados a gênero, ou seja, muitas vezes as lentes que usamos e que foram construídas durante nossa educação e interações sociais são preconceituosas e cheias de estereótipos.

Há algum tempo a Universidade de Harvard criou um teste online gratuito com vários tipos de vieses: idade, sexualidade, religiões e gênero (faça o seu no link: https://implicit.harvard.edu/implicit/). Nos resultados gerais, podemos ver nossas respostas e a análise de mais de 10 anos de pesquisa que mostra como associamos mulheres à ciências humanas e homens à exatas.

Viés de gênero e trabalho

E esses vieses e associações permanecem e permanecerão em nosso inconsciente coletivo até que comecemos a trazê-los à consciência e ajamos de forma diferente.

Uma pesquisa da Fairy Good Boss mostra que 66% dos homens americanos não acreditam que exista viés de gênero nas empresas e 90% não acredita que isso exista em seus locais de trabalho (https://fairygodboss.com/articles/what-men-really-think-about-gender-in-the-workplace). Ou seja, de acordo com a teoria do hiato da perspectiva, quando não estamos experimentando uma situação, subestimamos em muito a intensidade com que seremos afetados por ela.

Felizmente esses assuntos têm sido mais debatidos e trazidos com mais clareza e mais abertura por todos, inclusive por homens.

A mobilização #Heforshe, ou #Elesporelas é uma delas. Com o mote de “o que podemos compartilhar é muito maior do que o que nos divide”, a iniciativa da ONU Mulheres convida os homens e meninos a removerem as barreiras sociais e culturais para que juntos, modelemos uma sociedade mais inclusiva.

Quando vejo dados de que hoje as mulheres são responsáveis financeiramente por 34,4 milhões de lares, ou 45% das casas, isso significa que mais equidade (em oportunidades e salários) beneficia toda a família.

Ainda temos muito o que avançar, mas me sinto esperançosa em ver que os nossos meninos têm sido educados com uma visão mais integradora e menos machista. Vamos aprender com eles?

https://www.facebook.com/watch/?v=1833696776686701