Diferente e igual

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Diferente e igual

Claudia Miranda Gonçalves

14 de abril de 2020 | 10h00

“Tudo está diferente e igual ao mesmo tempo”. Essa frase de Kaa Faensen numa sessão de Warm Data Online mudou radicalmente o roteiro da conversa que vinha se desenhando entre nós, eu, brasileira, mais um italiano, uma islandesa, um a americana e essa holandesa.  O insight que veio dessa frase foi que, apesar de tudo estar diferente, essas diferenças já estavam postas, e talvez sendo exploradas mais como ideias e posicionamentos, visões de futuro. E, de repente, aqui estamos nós, vivendo essa diferença, que é o que muda tudo – viver as coisas.

Ao redor do mundo, essa pandemia descortinou coisas que estávamos nos segurando para revelar, talvez grandemente por medo das consequências que agora vivemos, e, com ou sem medo, com maior ou menor consequência para vida de cada um de nós, agora nos deparamos com uma realidade que muitos de nós consideram sem volta.

O primeiro ponto revelado é que as nossas instituições, como são hoje, não estão funcionando lá muito bem. Nossos sistemas compartimentalizados estão falhando. A saúde não vive sem conexão, por exemplo, com economia, educação, cultura ou tecnologia. Nenhum dos contextos que citei acima, por exemplo, se sustenta sozinho. Como podemos, então, que a saúde resolva problemas exclusivamente biológicos, enquanto a economia resolva as questões de dinheiro? Quem somos no mundo visto e vivido dessa forma?

O problema é que acredito que assim como eu, a maioria não tem ideia de como resolver a situação que nós mesmos como espécie criamos. Mas aí vem minha esperança com o segundo ponto:

Estamos acordando…sim. Estamos. E, para enfrentar um momento de tamanha ruptura, é melhor mesmo estarmos acordados. Mas esse despertar cobra um preço: desapegarmos de vários roteiros que nos colocam no piloto automático, que nos colocam sem energia, apenas resmungando e reclamando.

O que é agir, ser protagonista, no momento atual?

Mas, nessa mesma conversa a qual me referi na abertura desse texto, fui alertada para a quantidade de roteiros rígidos e o quanto de piloto automático já existe gravitando em torno do agir.

Qual a melhor pergunta para explorarmos o agir? Como podemos tomar um tipo de ação de um lugar diferente?

Minha reflexão me levou para o seguinte pensamento-ação:

Estou me mantendo aberta; isso significa que eu não tenho ideia prévia de onde isso tudo vai dar, mas estarei no meu espaço, ajudando a construir essa capacidade coletiva de orientação e navegação que tanto precisamos agora, sem fixar um destino, pois isso seria o diferente que é tão igual.

Boa quarentena,

Claudia

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