eu nao sou um azulejo

eu nao sou um azulejo

Claudia Miranda Gonçalves

14 de junho de 2022 | 13h52

Suturas e Fissuras; Adriana Varejão Foto da autora

Essa imagem de uma obra da grande artista Adriana Varejão, em exposição na Pinacoteca, em São Paulo, traz uma imagem muito forte e verdadeira sobre nossas instituições e organizações e sobre nós. Perdi o fôlego e mais uma vez entendi como a arte expressa de maneira clara e contundente o que eu levaria longas horas, inúmeras palavras, gestos rabiscando o ar, para uma inútil tentativa de capturar essa realidade que vive não em nossa cognição, mas em nossa sabedoria e existência.

E então, com o máximo respeito e admiração pela obra e artista, peço emprestada essa imagem para provocar um diálogo visceralmente humano acerca da vida que quer pulsar mais livremente nas organizações. Assim como nós, cujos esqueletos – estruturas que nos dão sustentação – são internas – como poderíamos desemparedar, desobstruir as organizações, para que possam se mover, crescer?

Armaduras? Só para momentos de batalhas…depois tiramos e seguimos mais à vontade, com uma proteção que nos permita movimento. 

Interrupções, imprevistos, obstruções precisam ser cuidados. A paralisia do sistema é uma das piores doenças que você pode enfrentar na condução de um projeto ou de uma empresa. Assim, previna-se para que a rigidez bloqueio não acabe gerando uma trombose no sistema. Planeje para manter as pessoas alinhadas, mas lembre-se que como o nosso corpo, o sistema é orgânico e imprevistos vão acontecer; sempre. Fuja da síndrome de paralisia, prevenindo-se com uma reflexão periódica. Quando as condições mudarem, se for necessário, abandone o planejamento e mude de planos. E desde o começo de qualquer projeto importante, alerte quem trabalha com você para o fato de que:

OS SISTEMAS SÃO IMPREVISÍVEIS. Então, pergunte-se periodicamente:

O que é preciso mudar já e qual é a menor ação que posso fazer para criar a maior mudança?

Sim, temos múltiplos agentes e subsistemas interagindo na nossa empresa e eles são imprevisíveis e não lineares. Todas as pessoas deste sistema precisam estar alertas para esta “ameaça de imprevisibilidade” para que elas estejam engajadas e envolvidas, fazendo parte do sistema e das suas soluções. Se você não souber reagir, quando o imprevisto acontecer, sua equipe sofrerá com a síndrome da paralisia. Não somos azulejos nas paredes; não estamos dispostos a cair e quebrar. 

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