Final com Dignidade

Final com Dignidade

Claudia Miranda Gonçalves

09 de janeiro de 2022 | 10h10

No último ano, mais de 1,3 milhões de empresas fecharam suas portas, contra 780 mil em 2019. E como lidar com esse luto?  Sabemos lidar melhor com os inícios do que com as despedidas. Então vou arriscar aqui alguns palpites sobre o tema, com base em reflexões sobre o tema a partir de uma oficina com o constelador Jan Jacob Stam e de minha própria experiência em encerrar uma empresa. 

Toda empresa tem um potencial  – a necessidade de realizar algo –  que só se concretiza quando a empresa se relaciona com seu contexto: clientes, fornecedores, concorrentes, colaboradores e demais stakeholders. 

O final de uma empresa acontece quando o potencial dela não encontra mais caminhos de relacionamento com seu contexto.  O final pode se dar por motivos relacionados ao contexto, à natureza do negócio, ou capacidade da liderança em dado momento:

  • Algumas vezes a empresa não tem mais potencial porque ela cumpriu seu destino – é o caso de empresas cujos negócios se tornaram obsoletos.
  • Outras tantas, o potencial não encontra forma de fluir – seja por mudanças no contexto, como, por exemplo, a pandemia, seja porque o(s) fundador(es) precisam abrir espaço para sucessores.
  • O empreendedor sente-se limitado pela empresa ou o contrário.
  • A organização fica estagnada devido a padrões de funcionamento obsoletos, dificuldade em deixar ir o que não está funcionando.

Para as organizações é importante observar o potencial e para as pessoas, a dignidade. Por isso, seguem aqui alguns passos para cuidarmos desse importante e delicado momento, de tamanha vulnerabilidade.

Se precisar encerrar uma empresa é importante fazê-lo com dignidade. Antes de fechá-la, recobre sua criatividade, sua energia, e demais recursos pessoais que investiu ali. Além de seus recursos pessoais, também cuide de suas emoções. A vergonha, a culpa, ou mesmo a raiva podem aparecer nesse momento. 

Se você está passando por esse momento de decisão, entre em contato com sua dignidade, pois vai precisar dela pelo resto de sua vida. Sempre se pergunte se insistir será digno, se encerrar será digno. Qual o próximo passo dignificante?

E, por mais paradoxal que seja, celebre o final. De uma forma ou de outra, a experiência chegou onde deveria, seu potencial pessoal se libera para uma nova empreitada. Lembre-se dessa empresa que agora se encerra com alegria: ela foi muito mais do que apenas o final.

 

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