o que a floresta ensina à organização

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o que a floresta ensina à organização

Claudia Miranda Gonçalves

27 de outubro de 2020 | 09h22

Um recente trabalho de teambuilding na Fazenda Serrinha, onde se pratica a agricultura regenerativa, me fez pensar nos ciclos da natureza. Ali, Cecel (um estudioso e praticante da regeneração, que busca compreender a natureza COM o Homem) nos contava, durante um passeio na floresta, sobre como  e o que observar na natureza. O chão coberto de folhas e galhos, alguns caíram, outros foram quebrados e arrancados por animais ou tempestades e ventos.  Ainda assim, caídos no chão da floresta, tinham função: proteger o solo e guardar a umidade; servir de insumo para sustentar a vida. Reciclagem através mudança de função ao longo do ciclo de vida. 

Então, pensamos como podemos olhar as estratégias da natureza e adaptá-las/ usá-las dentro das organizações. Ao final dessa turbulência que estamos atravessando –  na floresta seria uma tempestade ou um incêndio – Como estaremos diferentes? Quando sairmos desse momento, como estaremos? Como podemos reciclar hábitos, processos e crenças? 

Em conversas com executivos e em sessões de coaching tenho escutado muitos relatos de que estão agora focando no que é essencial e de que algumas atividades distintas começam a aparecer nas organizações. As organizações, assim como a floresta que comentei acima, também têm seus galhos e folhas que caem, mas aqui talvez, por não estarem sendo reciclados, entopem os espaços organizacional e mental, como, por exemplo, um programa ou um processo que não mais se alinha com o propósito da organização. 

Tanto no nível organizacional quanto no pessoal, o momento convida à reflexão:

Onde focar atenção? O que precisa continuar e o que precisa mudar? Como lidar com o desafio de continuar e  mudar ao mesmo tempo? Por exemplo, precisamos mudar a forma de tratar a natureza antes de destruí-la em níveis críticos  e ao mesmo tempo precisamos pagar o aluguel, comprar a comida e outras actividades que dão continuidade à nossa relação destrutiva com a natureza.  

Volto à experiência que tive andando pela floresta. O que fizemos ali de diferente foi prestar atenção ao TODO. A floresta está em cada elemento, em cada interdependência, em cada relação. E quando pensamos em nós na natureza, estamos onde? Precisamos reconhecer nossas interdependências e talvez assim, entendendo que estamos sempre fazendo parte de um contexto maior, possamos levar nossa atenção ao que seria a nossa floresta. 

A floresta não tem um futuro “desejável” ou sonhado. Ela simplesmente é e evolui constantemente. Hoje a nossa realidade também pede essa abordagem. Menos planos descolados da realidade e mais conexão com o presente. O foco da atenção no presente e na sobrevivência do todo. 

Que coisas recebem sua atenção e energia, para além de cuidar as necessidades da vida? Em quais tendências você presta atenção? Como você tem “reciclado” sua capacidade de compilar informação e entendê-la?

 

Texto inspirado em salões de leitura e reuniões  com Nora Bateson, leituras de textos das Dra Kathleen Allen e Asha Singh, trabalho de teambuilding realizado na Fazenda Serrinha com Ana Paula Mattar e muitas outras influências que me fazem parte da ‘floresta humana’. 

 

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