Liderando em Tempos Voláteis

Liderando em Tempos Voláteis

Claudia Miranda Gonçalves

06 de abril de 2022 | 12h47

Por Andréa Nery

A pergunta mais frequente neste retorno aos cafés tem sido como dar conta de tantas mudanças que seguem acontecendo tão rapidamente.

As conversas passam por soluções tecnológicas, transformação digital, formas de consumo, logística e, em todos os cenários, sempre terminam em pessoas.

Que bom que as pessoas têm sido realmente o centro das conversas mais significativas!

Quer seja sobre os desafios de se manter saudável física e mentalmente, quer seja sobre as questões práticas de estratégia, mobilização, engajamento e propósito o que observo é que existe a necessidade de falar e tratar mais das pessoas.

Os lideres estão buscando formas de alcançar seus objetivos enfrentando diversos obstáculos, percebem uma necessidade de mudança e falam de humanização. Mas, na prática, precisam de ações que os ajude a se desafiar na quebra de padrões desenvolvidos por uma visão míope de que os problemas que se apresentam são de natureza previsível.

A verdade é que as experiências de sucesso passadas fizeram de comportamentos hábitos, e o costume faz esquecer de observar e responder ao que cada situação precisa, o que ela exige de nós.

Estes tempos voláteis chamam para um foco em uma aprendizagem criativa que valoriza o testar e o agir para alcançar o sentido, que enfim, indica um caminho em direção a solução.

Noto que muitos de nós deixou de ser curioso… e a curiosidade é uma qualidade presente em nossa essência de criança, e que pode mudar completamente como nos relacionamos com as questões que se apresentam em contextos de complexidade.

Quando esta qualidade é valorizada, estimulada e trazida para liderança varias coisas se transformam.

A curiosidade nos leva a experimentar mais, sem o compromisso de acertar, e com o genuíno desejo de conhecer a situação, sem assumir verdades, ou julgamentos.

A curiosidade muda a escuta que deixa de ser reativa, resolutiva para ser aberta, agregadora despertando um processo de evolução.

A curiosidade nos faz questionar a partir dos sentidos, amplia nosso olhar para observar padrões que se repetem, desperta a percepção para as tensões no corpo e as incongruências com a fala.

Nesta mudança de mentalidade, o líder deixa de lado a categorização, o certo e errado, e as análises tão úteis em situação previsíveis, para navegar na complexidade e no caos, onde a busca pelo sentido através da prática é que traz a possibilidade de movimento.

Estar em um papel de liderança neste cenário é estar de alguma forma aberto para um processo que envolve a observação de uma questão de diferentes perspectivas, sugerir novas abordagens, aguçar todos os sentidos.

Mais importante do que observar os elementos que fazem parte de uma situação é perceber as relações que estão estabelecidas, e para isso, o que tenho observado é que todos os líderes precisam desenvolver novas habilidades e buscar ferramentas que contribuam para ampliar a percepção para o que está emergindo.

Liderar neste ambiente não é focar sobre o que acontece, mas sobre como nos relacionamos com o que acontece. O foco no que acontece coloca a liderança em um modo reativo que estimula ações a partir do hábito, enquanto o foco em como nos relacionamos com o que acontece traz à tona a consciência que estimula a intenção.

De volta aos cafés, quando a conversa chega nas pessoas, fica claro que não existem melhores práticas, e nem mesmo boas práticas… começamos a ficar conscientes de que as soluções emergem de um estado de presença que encontra um caminho no aqui e agora.

Navegar na turbulência, exige equilíbrio emocional, autoconhecimento, colaboração. Os contextos criam as oportunidades e somente através da multiplicidade de visões e perspectivas das pessoas uma solução inovadora vai ser capaz de estabelecer o próximo passo.

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