liderar com o coração

liderar com o coração

Claudia Miranda Gonçalves

28 de junho de 2022 | 20h02


Ao longo de suas sessões de coaching, meu cliente X se deu conta quão pouco conhecia sua equipe. Passou a almoçar e se conectar mais e melhor com seu time. Além de diagnosticar uma série de questões que nem chegavam a ele antes disso, ele se deu conta que as interações com a equipe mudaram. O time passou a delegar menos para cima, trazendo mais soluções e sugestões. Ele passou a confiar mais neles. As passadinhas em sua sala começaram a incluir uma palavra ou outra mais pessoal.

Ele agora anda mais feliz e seu time também. E todos um pouco mais produtivos e engajados. Mas, em essência, o que aconteceu de tão diferente?

Conexão; afeto.

Em julho de 2018 escrevi sobre liderar com o coração (também). Naquele texto, tratava do momento de ajuste sobre o entendimento e agência na liderança. Para quem se interessar em ler o texto na íntegra, segue o link:

Mas de lá destaco:

” Rapidamente, você vai constatar que eles não são apenas uma fotografia na parede. Eles promovem, aprendem, colaboram e empoderam, criando um sistema na qual a liderança emerge como uma força e não como uma pessoa. Isso, sim, produz e faz com que os resultados circulem pelo sistema da empresa e da sociedade.

Esse líder não é mais o dono das respostas e isso não o incomoda, pelo contrário, o estimula a procurar as melhores perguntas. Mas, acima de tudo, ele sabe que existe uma vantagem competitiva que vai além dos manuais. Um pequeno detalhe que faz toda a diferença. Um “porquê” que impulsiona a colaboração: a emoção. Sim, estamos falando de um líder compassivo, que não reprime as emoções, estimulando sua equipe a colaborar mais e melhor. Ele é otimista e já entendeu que a felicidade vem antes do sucesso. Ele sente e expressa gratidão. Ele tem fortes conexões sociais e emocionais que o sustentam nos desafios e o estimulam a crescer ainda mais. ”

Pode parecer ingênuo falar em emoção quando o presente e o futuro incertos ameaçam muitos dos nossos negócios e mesmo nossas vidas. Mas é também nas emoções que encontramos as saídas, as soluções.

A ansiedade, os vieses cognitivos, e agarrar-se às soluções que funcionaram no passado são respostas naturais quando pessoas e grupos se sentem afetados por acontecimentos que não anteciparam, não entendem e acreditam que não podem controlar ou mesmo diante de eventos aparentemente positivos como criação de um novo produto ou de uma tecnologia disruptiva, um projeto estratégico ou uma mudança organizacional estratégica. Os líderes precisam se confrontar com seus demônios e ajudar seus times a fazerem o mesmo.

Para lidar com o medo e a dificuldade de agir, a melhor forma de possibilitar a tomada de decisões sensatas é poder contar com uma zona de confiança. Essa zona de confiança é tecida por centenas de pequenas coisas ditas e feitas quando em equipe. Pode ser um sorriso empático, reconhecimento, admitir seus próprios erros e ter conversas individuais com aqueles que alimentam medo, sarcasmo ou hostilidade. Esse tecido é social, é emocional e é tramado principalmente em tempos de paz e crescimento. É lealdade, afetividade, pertencimento, momentos juntos, que vão tramando esse tecido coletivo e criando a história do time ou da organização.

E aí volto ao executivo do primeiro parágrafo, que aos poucos também se abre para permitir que seu time lhe ensine, que se mostre bom pra caramba. Agora ele entende que os sonhos profissionais de cada um também são da conta dele, pois quanto mais todos se sentem contemplados e felizes, mais felizes e contemplados eles querem que outros também sejam.

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