Liderar mudanças

Liderar mudanças

Claudia Miranda Gonçalves

19 de janeiro de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Com mais de 800 respondentes foi divulgada publicação da Gartner com as 5 principais prioridades e tendências para lideres de RH em 2021.

A construção de competências e habilidades críticas nas equipes foi a prioridade apontada como principal por 68% dos participantes, seguida do design organizacional e gestão de mudança com 46%.

Nas diferentes nuances da pesquisa confirmamos o desafio das empresas para alcançar os objetivos de negócio em um ambiente incerto que requer flexibilidade dos profissionais, e que busca um RH que proponha soluções dinâmicas e participe de forma ativa na elaboração das estratégias.

A importância da busca por uma abordagem dinâmica para o desenvolvimento das equipes se comprova nos comentários sobre o desconhecimento das lacunas de habilidades dos funcionários, a necessidade de integrar aprendizado no fluxo de trabalho e desenvolver soluções rápidas para habilidades em evolução.

O contexto atual precisa que as organizações estejam preparadas para responder rapidamente às condições que emergem, porém somente 19% dos lideres de RH reportaram que sua organização pode mudar de direção de forma efetiva com base nas mudanças de prioridades.

É mandatório para sobrevivência das empresas que sejam definitivamente incorporadas práticas que valorizem a inteligência coletiva existente, a diversidade e desenvolvam a capacidade de responder ao que emerge.

As soluções podem se tornar mais complexas se consideramos que os lideres e gestores não estão preparados para uma gestão de mudanças e que as equipes enfrentam um momento de esgotamento.

Um RH estratégico precisa estar a frente propondo ações que levem a um formato organizacional mais orgânico e que reduza os atritos que impedem que as soluções surjam de onde os problemas são vividos e sentidos com mais intensidade.

Tenho levado para algumas organizações a combinação da visão sistêmica com processos ativos de aprendizado e compartilho aqui o que venho observando.

A visão sistêmica promove na organização um entendimento de que o resultado observado é a melhor resposta que o sistema encontrou usando os recurso e condições que tem a sua disposição, portanto para obter algo diferente é preciso observar mais profundamente as conexões e os padrões que fazem com que o potencial existente não responda satisfatoriamente às novas condições.

Esta ampliação de visão permite observar se existem situações misturadas, sobrepostas ou separadas que quando alinhadas permitem uma nova definição de limites e contornos.

Em um contexto de grande volatilidade, a clareza destes contornos abre espaço para colaboração, a criação e a flexibilidade, e transforma a maneira de lidar com o esforço da priorização e os ajustes regulares.

Os processos de aprendizagem ativos promovem um desenvolvimento colaborativo e estimulam os participantes a fazer mais perguntas, perguntas que mobilizam e conectam as pessoas, que incentivam a expansão de ideias e valorizam a diversidade de experiências.

Ao colocar em prática e promover estes processos a liderança se transforma e se fortalece pois sai da posição de ter as respostas para facilitar e contribuir com a construção de alternativas.

Esta combinação aplicada nas organizações estimula o desenvolvimento de lideres preparados para mudanças, equipes que integram o aprendizado ao fluxo do trabalho, e um ambiente com a segurança psicológica requerida para inovação.

Com um pensamento sistêmico e uma postura de vulnerabilidade e curiosidade diante do novo as constantes alterações e ajustes de rotas serão feitos com reduzido nível de atrito.

Não existem respostas prontas ou soluções milagrosas, o novo exige o reconhecimento de conexões e padrões, e resiliência para trazer à luz uma forma de atuar que, em um primeiro momento, pode parecer desconfortável, mas faz todo sentido quando observadas as tendências e prioridades apontadas na pesquisa.

Trata-se de uma grande virada que ninguém conseguirá fazer sozinho!

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