Linguagem quente

Claudia Miranda Gonçalves

22 de março de 2021 | 13h02

Como coach, consteladora e facilitadora, faz parte de meu ofício estar presente, atenta ao que se mostra e acompanhar uma pessoa ou um grupo em uma exploração de possibilidades. Para isso, um de meus principais instrumentos é fazer perguntas que gerem respostas que antes não estavam ali. Uma nova forma de ver? Relembrar de coisas que ficaram esquecidas? Reconectar com habilidades e recursos? Ousar? Experimentar? 

E essa semana me proponho a experimentar.  E já aqui experimentando começar o post com vídeo – confesso que me sinto num filme de Harry Potter. Minha escolha vem de algo que me intrigou – e ainda o faz – desde o surgimento da expressão “novo normal”. Apesar de gostar de paradoxos, este em particular aqui me irritou:  se é novo, ainda não é normal, no sentido de ser comum; e se é normal, é previsível e esperado, e assim, não poderia ser novo. Mas, e a irritação? 

Descobri que não acredito nem que o que estamos vivendo é novo e nem que exista o normal (pois exclui o que não se conforma às normas). Mais do que isso, percebi que também não sinto em mim como verdade que em algum futuro as coisas se assentarão e  serão conhecidas. Me perguntei sobre quando foi a última vez que vivi a previsibilidade na vida profissional ou pessoal e percebi que eu mesma sou um tanto imprevisível para mim mesma.

Que vias de linguagem podem me ajudar a convidar essa visão que inclua ciclos, imprevisibilidade, vulnerabilidade, compaixão, fluxo e movimento, transformação, aquilo que é previsível, e aquilo que não é?  Como trazer mais vida àquilo que falo? Ainda não tenho a menor ideia! Mas gosto de conviver com perguntas e considerá-las portas que me abrem para possibilidades. Por isso trouxe a palavra experimentação. Mas com a experimentação vem também a confusão, o não saber, o não conseguir expressar direito. O antídoto? Não se levar tão a sério, aprender usando humor e compaixão.

Daí vem a primeira pergunta: O que é normal em um mundo em constante mudança? E recebi mais provocações de meu amigo Júlio Príncipe: O que é conveniente? O que é confortável? e sempre com o final …em um mundo em constante mudança.

E agradeço imensamente à Nora Bateson, criadora do Warm Data Lab e do People Need People, pela estrutura interessantíssima “O que é XXXX em um mundo em constante mudança?”

E desejo a todos uma ótima semana com mais risadas, mais leveza, mais experimentação. 

 

 

Tudo o que sabemos sobre:

Nora Batesonwarm data labsistemaslinguagem

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.