O incrível murmúrio dos estorninhos no mundo VUCA

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O incrível murmúrio dos estorninhos no mundo VUCA

Claudia Miranda Gonçalves

02 de junho de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

Minha relação com o tempo mudou, e nesta nova relação tenho aprendido a olhar e me deixar tocar, e foi assim que cheguei a uma série de fotografias premiadas de Daniel Biber de 2018, em que capturou imagens de pássaros em movimentos impressionantemente sincrônicos (“Very Impressive Starling Murmuration”).

Fiquei hipnotizada pelos movimentos, são estorninhos que apresentam um comportamento fascinante. Em 1930, alguns cientistas estudando o fenômeno chegaram a sugerir que seria operado por poderes sobrenaturais, mas em 1987 um cientista da computação (Craig Reynolds) criou uma simulação capaz de reproduzir este comportamento.

Por meio de pesquisas que se seguiram foi possível provar que um movimento complexo como este é possível através de indivíduos seguindo regras básicas.

Seriam apenas três regras simples para criar os diferentes padrões de movimento. O grupo é auto organizado, o que significa que são as pequenas regras comportamentais do indivíduo que o escalam para o grande grupo.

Descobriram que os estorninhos procuram combinar a direção e a velocidade dos sete indivíduos mais próximos, em vez de responder aos movimentos de todos os pássaros ao seu redor.

Em um bando de estorninhos, não há um “chefe dos pássaros” dizendo a todos os outros como e para onde voar.

Seu incrível comportamento surge naturalmente quando o grupo está junto. Cada pássaro se comporta de forma autônoma, mas funciona como uma parte vital para ajudar o grupo geral a sobreviver e prosperar.

O todo se torna mais do que a soma de suas partes.

Esta pesquisa conectou alguns pontos na minha experiência e comecei a tecer algumas ideias…

As tomadas de decisão no mundo VUCA são a nossa realidade há algum tempo, mas não estamos acostumados com processos simples e que se adaptam. Nosso momento mostra que processos complicados e engessados já não nos atendem.

Fazemos parte de um organismo muito maior, e como indivíduos com qualidades e objetivos únicos, cada pequeno comportamento e ação que controlamos nos ajuda no coletivo que representamos.

Não é preciso afetar um grande grupo, basta um pequeno grupo a nossa volta e uma grande presença!

Passamos por uma importante mudança de fase, as antigas normas já não nos atendem.

Nossa ação consciente reverbera e é capaz de mudar a direção de outros a nossa volta. Não se trata de um balé coreografado, mas de uma dança onde o movimento acontece espontaneamente e todos os indivíduos são afetados de uma só vez.

Mas, somente quando formos o suficiente para concordar em discordar dos padrões de comportamento com que vivemos por tanto tempo, seremos capazes de influenciar e deixar surgir um novo padrão.

Assim precisamos levar coerência a cada ação e tomada de decisão, fazer escolhas conscientes e priorizar, com foco não só nos resultados, mas também nas pessoas com quem queremos estar, fazer pelo outro com empatia, usar um sétimo sentido, atuar através do poder da rede.

Os estudos da murmuração geram um entendimento da força e responsabilidade que temos como indivíduos. E como coletivo nós precisamos assumir a responsabilidade de trabalhar juntos em direção ao crescimento e à consciência superior. É importante olhar na direção que queremos seguir e influenciar a grande coreografia humana.

Como podemos mimetizar o movimento do bando de estorninhos?

Como agir espontaneamente na criação de uma nova forma que atenda o que emerge?

Neste mundo VUCA, que pequenas regras precisamos para escalar para o grande grupo?

Da próxima vez que vir um bando de pássaros, lembre-se da murmuração dos estorninhos e pense nas suas escolhas e no papel que você desempenha no fluxo da vida.

Juntos somos mais fortes que cada um de nós sozinho!

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