O amor nas organizações

O amor nas organizações

Claudia Miranda Gonçalves

20 de abril de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Se você se preocupa com o desenvolvimento de sua empresa está na hora de dar atenção e entender o que significa na prática falar de amor nos seus negócios.

Uma gestão remota e um modelo híbrido de atuação exigem processos fluídos e capacidades aguçadas para identificar necessidades individuais e coletivas no alcance de um objetivo, e precisam de autonomia para que as decisões mais acertadas sejam tomadas de forma ágil.

Porém, chegamos até aqui com modelos muito centralizados, hierárquicos e dominados por uma cultura de medo e escassez velada, uma consequência da grande valorização do poder, de estruturas fortemente concentradas, e processos altamente controlados.

Estrutura, processos e controle podem ser benéficos e produzir valor, mas quando exagerados congelam e oprimem sistemas vivos.

As empresas não são máquinas que funcionam por si só, são redes formadas pelos esforços de várias pessoas que juntas buscam um objetivo comum, os relacionamentos são parte importante para seu desenvolvimento e o amor é um elemento  fundamental.

Observamos amor e poder como polos opostos e ficamos presos a um pensamento linear quando na verdade precisamos ter uma visão sistêmica de um organismo complexo.

Pense nos movimentos de inspiração e expiração que são vitais: a permanência em qualquer um destes polos é impossível se desejamos dar manutenção a vida. O desequilíbrio, com a tendência para um deles, leva a diversas disfunções.

Não à toa várias técnicas para buscar a saúde física e mental trabalham com a respiração para colocar estes polos em harmonia e gerar fluxo.

Para saúde das empresas não é diferente, é preciso buscar equilíbrio das duas forças fundamentais, amor e poder, e parar de negar que ambas precisam estar presentes para garantir o desenvolvimento, gerar as mudanças e permitir a perenidade das empresas.

“Poder sem o amor é imprudente e abusivo. E o amor sem o poder é sentimental e anêmico.”
Martin Luther King

Não é possível ter total controle sobre os impactos e como reverberam as ações, palavras e pensamentos na dinâmica de um sistema vivo, por isso se deve buscar a excelência nos relacionamentos interpessoais, e ter consciência de que cada um é mais do que a parte de uma empresa, é a empresa na sua essência.

Modelos organizacionais com forte viés de poder são insustentáveis. Trazer o amor para o dia a dia é gerar um fluxo consciente em direção a conexão, intuição, inovação, e reconectar e integrar partes que foram divididas e anuladas por um excesso de poder.

Este amor não significa estar junto ou concordar o tempo todo, sufocando e negando um espaço de desenvolvimento e crescimento, e sim lembrar quem realmente somos, e a serviço de quem devem estar estrutura, processos e controles.

O trabalho para alcançar este amor está em por buscar a liberdade, um espaço de respeito onde cada indivíduo percebe seu espaço livre, se conecta com seu coração e entra em coerência com o sentido maior de sua existência e da empresa a que serve contribuindo para o bem de todo sistema.

 

Este amor pode ser alcançado com uma prática constante de escuta generativa, criação de espaços de fala que respeitem a diversidade, liderança humanizada capaz de trazer sua vulnerabilidade e gerar conexões verdadeiras, estimulo a um aprendizado e desenvolvimento contínuo.

 

A liberdade será o ponto que equilibra e promove o fluxo entre amor e poder para que as organizações caminhem com segurança e firmeza.


Se algo hoje não está fluindo bem, nas quedas e nos tropeços observe que polo está desequilibrado e se pergunte: o que é preciso para caminhar e seguir com liberdade?

Você vai se surpreender com a força gerada pela integração do amor e poder generativos na sua organização!

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