O Antifrágil

O Antifrágil

Claudia Miranda Gonçalves

06 de outubro de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

O que poderia nos ajudar a enfrentar este momento e virar o jogo a nosso favor?

Com a retomada de atividades, a economia incerta, e sinalizações de novas restrições sendo impostas em diversos países, nos vemos novamente diante de outras regras para o jogo.

Aceitando ou protestando, concordando ou não, qualquer que seja o lado, as mudanças estarão presentes.

Não se trata de estar preparado, mas de se adaptar, de identificar e aproveitar as oportunidades que emergem e entende-las como possibilidades constantes de crescimento.

Em 2012, no livro “Antifrágil – Coisas que se beneficiam com o caos”, Nassim Nicholas Taleb nos apresentou ao conceito antifrágil.

Nassim, considerado um dos maiores especialistas em mercado financeiro, professor de risco na Universidade de Nova York, trouxe este conceito como uma forma de lidar com os riscos e incertezas presentes no mercado.

Mas o conceito vai além desta área, ele está associado a forma como vemos o mundo, e pode ser a chave para nos preparar para os cenários de incertezas.

Talvez a melhor forma de entender antifrágil seja explorando o oposto dele e outros conceitos associados:

Frágil – algo que se quebra facilmente, sai prejudicado quando submetido à pressão de agente externo.
Resistente – algo que tem dificuldade de aceitar e se adaptar quando submetido à pressão de agente externo.
Resiliente – algo que suporta situações de extrema pressão de agente externo, mas depois retorna ao seu estado original.
Antifrágil – algo que se beneficia, melhora e cresce quando submetido à pressão, mudanças e situações externas inesperadas.

Agora, imagine como seria se empresas e indivíduos desenvolvessem a capacidade de se transformar e se fortalecer diante das crises… e se pudessem acessar suas experiências e entender o que lhes fez melhor para enfrentar um novo momento?

Desenvolver “antifragilidade” começa por criar consciência da existência de fatores externos e inesperados, e encarar a aleatoriedade de forma a buscar aperfeiçoamento em cada experiência.

Exige se apropriar de quem você é, de sua história, seus pontos fortes, habilidades e capacidades que podem ser colocados a serviço do novo, e facilitar o entendimento das novas regras para sair jogando.

Não permite ficar preso a formas, nem olhar para o passado para se definir. É preciso criar alternativas, entender o que pode ser feito diferente. As formas fixas aprisionam, pois são condicionadas aos fatores externos que seguirão voláteis e incertos.

Significa testar e experimentar, assumir riscos, desenvolver a capacidade de ficar no espaço do não saber, ter consciência do vazio que permite decifrar sutilezas e crescer mais rapidamente nas adversidades.

Aprender que o conflito é necessário para impulsionar o avanço, ele é a provocação para seguir em frente. Portanto, enfrentar conflitos deve ser visto como uma oportunidade para acessar as necessidades suas e do outro e trabalhar para que todos se fortaleçam e aprendam com o que os tornou melhor e mais fortes para próximo desafio.

Olhar o conflito como um lugar de possibilidades e não como um espaço para o certo ou errado, o meu ou o seu, um ganha outro perde.

Diante do caos, do mundo VUCA, ter um propósito interno que o guia, é ter diante de si alternativas nas incertezas e aleatoriedades da vida. É saber para onde ir e se perceber irradiando brilho nos olhos.

Finalmente, para nos tornar antifrágil precisamos eliminar o que nos torna frágil!

Identificar e se livrar do que precisa ir, do que já não serve mais, do que nos torna frágil.

Virar o jogo não é fácil, tampouco é impossível!

Aprender sobre o antifrágil é se permitir estar consciente para dar o próximo passo no entorno complexo que vivemos.

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