O lugar do não saber

O lugar do não saber

Claudia Miranda Gonçalves

17 de março de 2020 | 06h46

Por Andréa Nery

Se ainda não havíamos entendido o significado de um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo, uma boa observação dos acontecimentos mais recentes poderá definitivamente nos ajudar.

Em uma situação sem precedentes, em um período curtíssimo de tempo, saímos de observadores de uma crise para protagonistas de situações de medo e insegurança.

Fomos colocados diante de uma situação onde não podemos pensar somente em nós. O movimento e a decisão de um, impacta diretamente no outro, vivemos o exato significado de ser e pertencer a um sistema vivo, sentimos a interdependência e a complexidade, e sem poder garantir os resultados, somos chamados a nos ajudar.

Nossas atitudes automáticas já não atendem as necessidades do momento, se nos lembramos de como agimos em qualquer outra situação, vamos nos dar conta de que hoje nada se parece com o que conhecemos.

No longo prazo o sistema, por si só, buscará uma forma de se equilibrar e com isso viveremos um novo “normal”, mas até lá, o que nos exige o médio e curto prazo?

Nesta reflexão do que será preciso para passarmos pela transformação do médio e curto prazo tenho pensado muito sobre o lugar do não saber.

No “lugar do não saberé preciso estar presente, e a presença se dá com uma observação atenta aos diferentes movimentos; é preciso controlar a ansiedade, e é este controle que vai permitir que sejamos guiados por um positivismo que nos coloca em movimento; é preciso se esvaziar de certezas, ser curioso e aberto, permitindo que o novo ocupe o espaço e os paradigmas sejam quebrados.

Sim, será preciso quebrar paradigmas, enfrentar nossos medos e nos reinventar. Nosso olhar terá que ser de mais compaixão, conosco mesmos e com os outros. Teremos que tentar coisas novas, aceitar e avaliar os erros que cometermos.

Serão sempre muitas as perguntas sem respostas, esperando que cada um de nós as encontre. E esse caminho, ainda que tenha que ser percorrido individualmente, não poderá ser trilhado sem considerar que cada passo terá um impacto sobre o outro.

E tudo isso representa uma grande novidade para nós, temos a oportunidade de avaliar o que realmente é importante, e de fazer escolhas, escolhas das quais poderemos nos orgulhar no futuro, não porque serão as escolhas certas, mas porque nos representarão verdadeiramente como seres humanos.

Estamos vivendo um dia de cada vez!

E você, já parou para pensar que pergunta que mais o aflige neste momento?

Experimente o “lugar do não saber”, permita-se esvaziar de certezas e se abrir para o que precisa acontecer.

Se você está se descobrindo no seu novo escritório em casa…
Se você ainda precisa se deslocar para o trabalho…
Se está sozinho em casa…
Se terá que conviver com alguém em casa e tem receio de conflitos…
Se está preocupado com alguém muito querido…
Se não sabe como vai lidar com os resultados do seu negócio…
Se está com medo de seu emprego no futuro…
Se teve interrompidos seus planos de viagem…
Se teve suas aulas suspensas…
Se sente saudades de alguém que está distante e sem contato…

Saiba que não está sozinho, e que é preciso dar o primeiro passo!

Deixe que o seu melhor esteja no comando consciente das suas decisões.

Enfrente seus medos, peça ajuda!

E tudo bem se ele ainda não for o passo perfeito, pense que foi o que você conseguiu dar neste contexto.

E lembrem-se:

Isso também passará…

…e não seremos mais como éramos antes!