o meio bagunçado

o meio bagunçado

Claudia Miranda Gonçalves

13 de agosto de 2021 | 16h20

Em seu livro O Lado Difícil das Situações Difíceis (The Hard Thing about Hard Things), Ben Horowitz nos alerta: “Não há receita para liderar um grupo de pessoas a sair de um problema, nem para fazer uma série de de hits musicais, tampouco para motivar equipes quando seu negócio está dando errado.” Existem fórmulas para os começos – primeiro encontro, pitch de venda, rodada de investimento; mas passado esse estágio de magia inicial, as fórmulas precisam ser inventadas na hora do problema. 

Esse meio bagunçado, comparado ao início mais estruturado e ao final evanescente, exige nosso comprometimento para criar nossas fórmulas. O comprometimento é trazer nosso eu da maneira mais completa para o trabalho, um mix de vulnerabilidade – quando temos a ‘pele no jogo’ – e força. A força complementa e sustenta a vulnerabilidade, pois é preciso ter força para estar aberto, permitir que outras pessoas contribuam com seus pontos fortes. É preciso ser forte para abrir mão do ‘ter tudo sob controle’. O meio bagunçado é quando decidimos que não vamos desistir; é preciso coragem para ficar mais tempo com um problema.  

Existem razões para o meio ser bagunçado. Se olharmos as dificuldades no nosso trabalho menos como um conjunto ordenado e sequencial de obstáculos, mas antes como um composto (poderia até ser compostagem). É dessa desordem que podemos nos inspirar e nos tornarmos criativos. Precisamos permitir que ideias boas, ruins, estranhas, radicais – entre outros tantos adjetivos criativos – sejam lançadas e amontoadas nessa bagunça que é o meio. E depois? Como quando sovamos a massa do pão e depois deixamos descansar para crescer. Deixe os campos da mente num repouso, como uma entressafra. E volte! Mão na massa e experimente. 

Outro meio bagunçado é estar na média gerência – ainda não chegou no ápice de CXO, mas também não mais o entrante rebelde, que quer transformar tudo.  Aqui também estar na média gerência gera sensações mais negativas que positivas; pesquisando perguntas no google sobre média gerência, as primeiras a aparecer são: A média gerência…está obsoleta? …é inútil? …é tão ruim?

Conforme as organizações se tornam mais fluidas, podemos perceber o real valor dos gerentes médios: criar relações importantes (para que as coisas sejam feitas).  Os médios gerentes são o motor das organizações, mais ainda com o trabalho remoto ou híbrido. Os melhores sucedidos são aqueles que têm habilidades de comunicação sofisticadas e humanas e a aptidão para fazer o meio de campo e buscar um terreno comum para diversos agentes em vários níveis  na organização.           

O meio bagunçado, quando desenhamos e testamos estruturas e processos para serem significativos (em vez de engessados), nos permite evoluir mantendo nossas raízes ou propósito. O meio bagunçado é bastante concreto, complicado e frustrante. Talvez seja o ponto em que temos que trabalhar mais intensamente para honrar nossos compromissos, onde decisões difíceis e conflitos nos acompanham pelo caminho. 

Como anda a sua relação com o meio bagunçado?

 

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