O novo PIB-B (B de benefício)

O novo PIB-B (B de benefício)

Claudia Miranda Gonçalves

15 de outubro de 2019 | 09h58

Novo PIB

“Por que o PIB (Produto Interno Bruto) não inclui os bens digitais?” Erik Brynjolfsson começou sua palestra com esta pergunta inquietante na abertura do IDEAC, MIT (Conferência Anual de Iniciativas para Economia Digital)

Não bastasse a pergunta, ele ainda nos sugere um mantra: “se não mede, não gerencia”. Assim, fica a pergunta: como podemos medir a transformação da economia com a entrada massiva da digitalização?

Vamos por partes: o PIB, medida amplamente usada para mensurar a produção, não mede bem-estar.

O PIB, desenvolvido nos anos 1930, continua sendo a medida que, de fato, apura o crescimento econômico. Porém, precisamos pensar além e ressaltar que o benefício para o consumidor seria uma métrica mais adequada para mensurar o bem-estar, especialmente para bens digitais que têm preço zero.

Tecnologia e PIB:

Você pode estar se perguntando:
por que mudar a forma de medir o PIB? 

Estamos diante de uma explosão de produtos digitais gratuitos: Google, Facebook, Twitter, Wikipédia, dentre tantos outros. Para os produtos tradicionais, o preço sempre cai. Na mesma medida, o PIB cresce junto com o benefício para o consumidor.

Mas, produtos digitais ou gratuitos têm o preço zero e trazem o benefício para o consumidor mesmo assim. Isso representa uma reviravolta, já que nos últimos 60 anos o crescimento de bens gratuitos foi muito pequeno.

Assim, o novo jeito de mensurar o PIB é possível graças a novas formas de pesquisa para bens digitais e gratuitos, que (infelizmente) não entram no PIB atual.

No entanto, uma mudança de paradigma aconteceu (uma vez que agora o que sobressai é a escolha versus a imposição). Produtos gratuitos não podem ser impostos! É sempre uma escolha. 

Experimentos online que estudam escolhas tem o potencial de reinventar e suplementar a mensuração do bem-estar econômico, uma vez que podem ser usados para produtos com preço zero ou positivos; são facilmente escaláveis; podem ser realizados praticamente em tempo real para acompanhar mudanças no bem-estar.

Os próximos passos das pesquisas online em massa são:

  • Escalar experimentos sobre escolhas em massa para mais produtos:
    • Escolha de Produtos de Internet atualmente coletam dados em 211 categorias.
    • Podem ser ampliados para incluir bens digitais: Wikipédia, buscas, e-mail, Facebook.
    • Podem ser ampliados para incluir bens públicos: qualidade do ar, crime, saúde pública.
  • Trabalhar com outros países e organizações para comparar métricas internacionais:
  • Criar um website para coleta online de dados
    • Gamificação das comparações: Você prefere A ou B? criar rankings…
  • Infraestrutura para atualizações periódicas
    • Anunciar o PIB-B e a Produtividade-B no mesmo dia a cada trimestre que o PIB e Produtividade oficiais

Para concluir, há muita coisa acontecendo na economia além do que compramos e vendemos. Por isso precisamos da cooperação com Google para alcançar mais pessoas. 

Vamos tentar medir o benefício para o consumidor: PIB-B e Produtividade-B. 

Precisamos reinventar a forma que fazemos as coisas, especialmente para incluir os bens digitais. O B acrescido em PIB e Produtividade é de benefício

Essa nova métrica captura os benefícios dos bens, não apenas os custos.  E vamos aguardar as novidades!

Acredito que este seja um passo importante e que já demonstra a consolidação do B.

E viva o benefício para pessoas, comunidades, planeta.

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