O novo que eu desejo

O novo que eu desejo

Claudia Miranda Gonçalves

15 de dezembro de 2020 | 09h24

Por Andréa Nery

Compor o último texto do ano é refletir sobre o caminho que trilhei com vocês até agora.

As palavras escritas e levadas ao mundo ganham vida, geram ideias e principalmente fazem reverberar uma energia que ultrapassa os limites que consigo imaginar.

Ao longo do ano os pensamentos fluíram e as palavras tomaram vida através do meu desejo de oferecer ao mundo mais do que eu quero ver nele, e compartilhei aqui minhas experiências para provocar reflexões e gerar movimentos.

Por isso quero começar honrando o percurso que fizemos, o meu percurso individual e o nosso percurso coletivo.

Honrar os erros e os aprendizados, os encontros e desencontros, as dificuldades e as superações, o começo e o fim.

Desejo iniciar um novo ano, um novo momento, e desejo que venha logo, tenho uma certa pressa, porque deposito nele a esperança de que seja bom.

Acredito termos feito o melhor possível diante das condições e contextos que enfrentamos, resultado de nossas escolhas ao longo do tempo, escolhas conscientes e não conscientes.

Mas, também acredito que precisamos fazer mais do que fizemos, precisamos que os nossos movimentos sejam ser mais intencionais e a nossa escuta mais generativa.

Percebo que a velocidade para tornar minha esperança uma realidade está diretamente relacionada a nossa capacidade de encararmos o que não nos serve mais, o que não nos atende mais como indivíduos e como comunidade.

Sinto que temos que nos esvaziar, quebrar padrões antigos, largar o que pesa e aparar as arestas que nos impedem de nos moldar e nos adaptar ao que faz sentido agora.

O trajeto atípico do ano me mostrou, sobretudo, que necessitamos abrir espaço para uma nova forma de nos relacionarmos, de aprendermos, de gerarmos riqueza e de darmos significado a nossa vida.

Desse modo, é preciso assumir que estamos todos diante do desafio da finitude e do enfrentamento da morte.

É o processo vivo da transformação que tem que ser sustentado, um ciclo que requer honrar o que foi e aceitar o que é, e desapegar do que não nos serve para nos conectar com o que está chegando.

Transformar não se trata de abandonar ou esquecer, mas de ressignificar o que faz sentido no aqui e agora.

Eu quero ver as pessoas mais conectadas e alinhadas com o que fazem de melhor, vivendo cada dia com mais sentido e realizando algo maior para si, para o próximo, e para o mundo.

Eu quero ver empresas genuinamente preocupadas com o impacto que estão gerando, empresas mais humanas que chegam aos resultados de forma coletiva através de equipes de fato diversas.

Eu quero pessoas e empresas vivendo seu potencial máximo por um mundo melhor.


O novo que eu desejo precisa ser construído por nós.

E é assim que fecho meu último texto do ano, com um convite para que você avalie seu percurso, honre o que lhe trouxe até aqui, e reconheça o que precisa deixar ir, se esvaziando do que não faz mais sentido e se fortalecendo com a certeza de que não está sozinho.

Vamos construir juntos e viver intencionalmente este ciclo de transformação para acolhermos o futuro que emerge e abrirmos espaço para que ele seja bom o suficiente.

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