O problema é nosso!

Claudia Miranda Gonçalves

07 de maio de 2019 | 09h27

Apesar do título, nosso assunto é solução. E vou logo começando pelo final: ser parte do problema é meio caminho andado para a solução. Ou seja, ser parte do problema é o que legitima a solução que está sendo criada. Então, como você já deve estar desconfiando, nosso tema, aqui, é a perspectiva sistêmica de um problema. Sim, vamos falar em chegar perto, em se posicionar, em incluir, em equilibrar as forças. Que tal um exemplo para um pouco mais de ilustração?

A empresa X cresceu muito nos últimos anos. Investiu em inovação, criou uma rede sustentável na comunidade em que se estabeleceu, persegue o seu propósito e tem um fluxo de caixa equilibrado. No entanto, a empresa tem enfrentado, nos últimos anos, uma rotatividade da equipe em moldes nunca antes experimentados. A gerência de pessoas já fez de tudo, mas não tem conseguido reter os talentos que recruta. O problema não é salário, mas sim, o choque cultural entre colaboradores mais antigos e os que estão chegando agora. Como resolver? Quem faz parte deste problema? O que pode ser feito?

Na perspectiva da solução mais tradicional, ao olhar de fora, você vai dizer que o problema está na conexão. Que é hora de conectar as pessoas, aproximar, engajar. Que a cultura da empresa precisa ser mais difundida, mais compartilhada. É verdade? Até é, mas vamos pensar um pouco mais?  Vamos mudar de perspectiva?

Então, agora, olhe para dentro e tome para si o desafio de conectar. Isto pode até parecer a mesma coisa, mas é completamente diferente, quer ver? Na primeira perspectiva, você está pensando no futuro, projetando metas e novos projetos para solucionar o problema da retenção de talentos. Vai planejar, vai executar um novo projeto, vai cobrar da sua equipe uma solução, vai tentar incluir o que não está incluído. Na segunda perspectiva, você já é a solução e, portanto, já está agindo no problema. Ou seja, ao se incluir no problema, de imediato, você começa a ser elo e a dar os nós da rede que vai conectar. Para que isso funcione, você não vai impor uma cultura para quem chega, mas vai executá-la (ou até tentar ajustá-la, se for preciso), mostrando que ela é legítima e eficiente. E mais, você não vai cobrar planos, metas e projetos. Você vai ser este “agente de pertencimento” que busca soluções no presente. Entende? Mesmo que você não faça nenhuma mudança radical, você está fazendo uma grande transformação agindo assim, pois você estará equilibrando as forças. Isso é ou não é conectar?

Concluindo, esta é, sim, a perspectiva sistêmica de solução de problemas que entende que fazer parte é transformar.  Então, repito, pertencer ao problema é meio caminho andado para a solução. E, se eu iniciei este texto pelo final, quero agora começar de novo e perguntar:

Você tem feito parte dos seus problemas?

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