O que nos conecta?

O que nos conecta?

Claudia Miranda Gonçalves

18 de maio de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Seguimos…
Alguns dias mais reflexivos, outros mais expansivos e esperançosos.
A medida que as notícias nos mostram a rotina sendo retomada voltamos a sentir a força e vibração de estar juntos.

Encontrei uma amiga durante uma caminhada, estávamos imersas em nossos pensamentos quando nos percebemos cruzando os caminhos. Neste instante vieram a minha mente momentos que compartilhamos, e lembranças de dias diferentes.
A felicidade deste encontro casual foi seguida por uma certa euforia e desejo de saber mais como está a vida, e as primeiras trocas foram logo interrompidas por um longo silêncio quebrado pela história de quem venceu uma batalha e viu a morte de frente.
Não sei muito bem em que momento as palavras pararam de fazer sentido e o que ficou foi um sorriso comunicando que estávamos ali, uma para outra.
Fomos capazes de nos mostrar vulneráveis e nos percebemos diante de um contexto muito maior.
Não éramos mais as mesmas, mas nossa essência estava ali, mais presente do que nunca.
Neste breve momento nos conectávamos profundamente.

Acho que vamos descobrir outras qualidades em nossas relações daqui pra frente, acredito que ainda não conseguimos nos dar conta do quanto mudamos.

Sinto que para mim, tem sido importante compartilhar meu tempo e energia com pessoas que estejam abertas a estabelecer uma relação de entrega e confiança. Somente nestas relações percebo que tenho liberdade para ser eu mesma.

As outras pessoas chegam e partem como conhecidos, e isso é tudo.

Algumas frases assumiram um sentido diferente, e quando pergunto a alguém “Como você está?” tenho dentro de mim um espaço para acolher o que precisa chegar porque está tudo bem, se não estiver tudo bem.

Noto e entendo que muitos se protegem com respostas automáticas e vazias sem se deixar tocar, inseguros da intenção e do que pode emergir.

Teremos muitos reencontros e uma alegria tomará conta de nossos corações e despertará largos sorrisos, provavelmente escondidos pela máscara, mas explícitos no olhar que aprendemos a decifrar.

Porém, reencontraremos desconhecidos, velhos amigos transformados de forma única por esta experiência coletiva.

As palavras não serão suficientes para nos reconhecermos, e se partirem do pensamento e ocuparem todo o espaço da fala terão menos significado que o silêncio e o sorriso genuíno.

Para alcançarmos a profundidade precisaremos diminuir a velocidade, estar presentes, perceber para além das palavras, nos gestos e no olhar, quem está diante de nós e nos reconectar pelo coração.

Cada dia é um presente da vida e para fazer valer cada minuto desta oportunidade vale se entregar à uma conexão genuína que vai além dos olhares e que acontece de forma sincera, aberta e em um espaço de confiança.

Espero que nossos reencontros sejam marcados por momentos de sintonia, que não seja necessário vestir uma armadura de proteção para fingir que ainda somos aqueles de um ano e meio atrás.

Entendemos a interdependência, e temos mais consciência que a ação individual que assumimos influencia o todo, então convido você a dar o primeiro passo e a fazer escolhas que abram caminhos para que as pessoas se reconheçam na sua essência e se descubram mais humanas e capazes de apoiar e aceitar umas as outras como elas são.

E o que nos conecta?

O que nos conecta é a nossa humanidade.

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