O tecido para sustentabilidade

O tecido para sustentabilidade

Claudia Miranda Gonçalves

07 de junho de 2022 | 11h39

Por Andréa Nery

Estamos enfrentando grandes desafios como humanidade: conflitos, pobreza, fome, solidão, aquecimento global…

Estes desafios são resultado de comportamentos e padrões que vêm sendo adotados há muitas décadas e que estão enraizados em toda sociedade. Comportamentos que serviram para uma substancial geração de riquezas, e o aumento da expectativa de vida, mas que também provocaram aumento da desigualdade e problemas sociais e ambientais.

Como resposta a estes desafios vários movimentos estão trabalhando para buscar estabelecer metas, desenvolver estruturas, monitorar resultados, informar e educar.

Entre eles o de maior visibilidade vem da Organização das Nações Unidas (ONU) que desde 2015 adotou os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e desenvolveu a Agenda 2030 como um chamado de urgência para ações de governos, instituições, empresas e sociedade para enfrentamento destes desafios.

Ainda que cada vez mais empresas estejam envolvidas com os ODS o que se observa é a necessidade clara de acelerar os processos, aumentar a conscientização e encarar as mudanças de forma mais efetiva, e assim tomar, de fato, decisões mais orientadas a um impacto positivo.

Se no discurso e no papel não está fácil, imagina quando observamos na prática!

Na prática as pessoas que estão na linha de frente, trabalhando com as mudanças constantes, a alta volatilidade, as incertezas estão adoecendo, impactando diferentes dimensões de suas vidas, e com frequência, sofrendo com stress, burn-out, síndrome do pânico e tantas outras nuances provocadas pelo desequilíbrio na saúde mental.

Seguimos adotando as mesmas práticas que criaram estes desafios para enfrentá-los!

Precisamos de novas ferramentas, desenvolver novas habilidades, adotar uma visão mais sistêmica, aprender a renunciar padrões antigos e ter disposição para construir novos caminhos e novos valores.

Venho trabalhando com muitas lideranças no desenvolvimento de novas habilidades que as ajudem a lidar com situações de alto stress, que promovam a abertura para novas ideias e pensamentos, e principalmente que aumentem a consciência para o que precisa ser abandonado e o que está emergindo.

Um trabalho que exige aprendizado e aperfeiçoamento constante, pois também sou fruto dos mesmos sistemas e padrões.

No meu caminho me deparei com uma iniciativa muito estruturada (i) para a cocriação de capacidades, habilidades e qualidades, individuais e coletivas, com objetivo de preparar as pessoas para enfrentar os desafios complexos da sociedade e alcançar a Agenda 2030.

Uma estrutura de objetivos que oferece uma direção para o desenvolvimento individual que vai criar as condições para as mudanças. E que pode levar as organizações a um novo patamar no estabelecimento de suas relações com funcionários, clientes, parceiros e com a sociedade e o planeta como um todo.

São 5 dimensões que englobam 23 habilidades:

SER

Presença,

Integridade/Autenticidade,

Mentalidade de Aprendizado,

Autoconsciência,

Senso de responsabilidade e comprometimento com valores e propósito.

PENSAR

Pensamento crítico,

Orientação longo prazo/ Visão,

Consciência da complexidade,

Dar sentido,

Olhar por perspectivas.

RELACIONAR

Conectividade,

Humildade,

Empatia/ Compaixão,

Apreciação.

COLABORAR

Comunicação,

Cocriação,

Confiança,

Mobilização,

Competência intercultural e mentalidade de inclusão.

ATUAR

Coragem,

Criatividade,

Otimismo,

Perseverança.


Precisamos nos engajar mais nesta direção e entender que sem cuidar da saúde mental das pessoas, sem mudar o estado interno dos indivíduos ninguém será capaz, de em curto espaço de tempo, liderar e conduzir a grande mudança necessária para recuperação e sustentabilidade.


“A qualidade da intervenção depende da qualidade interna do interventor”
Otto Scharmer

Mesmo que sua empresa ou organização esteja alinhada com diferentes ODS, sem um trabalho com os líderes e os colaboradores, que cuide da saúde mental e foque no desenvolvimento de novas habilidades, a velocidade das mudanças ficará muito aquém do desejado e o desgaste das equipes gerará diversos impactos não planejados.

Reflita sobre como estas habilidades e qualidades poderiam transformar a você e aos times que hoje se propõem a realizar projetos para um mundo melhor! E se pergunte: O que mais posso fazer por mim e pelos outros nesta direção?

Trabalhe para tecer estas relações!

(i)IDG Framework –  https://www.innerdevelopmentgoals.org/framework

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