Os sinais de uma empresa humanizada

Os sinais de uma empresa humanizada

Claudia Miranda Gonçalves

01 de fevereiro de 2022 | 10h30

Por Andréa Nery

Vivemos um momento de grande transição que representa uma oportunidade para repensar e reavaliar o mundo do trabalho.

Chegou o tempo de colocar em ação um modelo de organização humanizado, que traz maior felicidade e agrega valores que vão além da maximização de lucro e retorno financeiro.

A humanização no trabalho coloca em pauta temas voltados ao desenvolvimento das relações, a práticas de gestão baseadas na confiança, transparência, autonomia e colaboração.

Traz para a realidade uma necessidade clara de rever os processos à luz de atender a natureza dos seres humanos. Uma natureza social, que têm uma dinâmica relacional e que integra sentimentos e emoções no momento de realização e materialização do trabalho.

Mas afinal como saber que estamos diante de uma organização humanizada? Que caminhos precisam ser trilhados para esta transformação? Que sinais devem estar presentes neste modelo organizacional?


“Só nos tornamos humanos a medida que aprendemos a ser humanos.” – Ana Claudia Quintana Arantes


A organização humanizada entende e trabalha consciente de que é um organismo vivo, está preparada para aprender e se adaptar, compreende seus estágios de desenvolvimento.

Ela sabe que faz parte de um sistema amplo, complexo e interdependente, suas decisões afetam não somente a si mesma, mas a uma rede que inclui o ambiente em que está inserida por isso se preocupa com a qualidade de seus vínculos e atua alinhada com um propósito.

A valorização das pessoas é o centro da empresa humanizada, suas estratégias e tomadas de decisão levarão em conta o impacto provocado nos colaboradores, fornecedores, clientes, acionistas, comunidade e meio ambiente.

Isso se dá em um processo de construção constante de relações mais democráticas e justas.

– Existe uma preocupação genuína com a qualidade de vida e de trabalho dos colaboradores? Como ela se materializa no dia a dia da empresa?
– O tratamento aos fornecedores é justo, e respeita uma relação ganha-ganha? Os processos internos acomodam necessidades de parceiros que comungam o mesmo propósito?
– Como as necessidades de meus clientes são atendidas? O que mais é oferecido além de produtos ou serviços para encantá-lo?
– O impacto que a empresa causa é considerado uma entrega ao acionista? A visão estratégica é voltada para curto ou longo prazo?
– Que benefícios a empresa entrega à sociedade? Que impacto positivo sua existência é capaz de promover na comunidade?

Estas perguntas propõem uma visão ampla das relações vividas em uma organização e refletem a cultura que está presente.

Os valores que são compartilhados, os processos de construção da realidade social, e como as pessoas se adaptam para estar presentes e pertencer a este meio vão mostrar o modelo organizacional na prática e vão indicar caminhos para transformação.


“Seja a mudança que você quer ver no mundo – Mahatma Gandhi


No caminho de transformação os colaboradores são chave para promover e trazer para prática de negócios a visão fluída e colaborativa. São eles quem vão viver no dia a dia a justiça, igualdade, diversidade e inclusão e assim serão capazes de levar este olhar para as diversas relações e vínculos estabelecidos pelo negócio.

O espaço de trabalho deve favorecer a colaboração, a troca, a possibilidade de uma expressão autentica, e deve principalmente permitir que os colaboradores questionem, experimentem e reflitam sobre seus aprendizados.

A liderança deve promover um ambiente que valoriza as relações e cria condições para que as pessoas cresçam e se realizem em seus papéis profissionais dando a empresa condições para passar por uma sucessão de choques e mudanças causados por fatores imponderáveis.

Um sinal de uma empresa humanizada é reconhecer em seus colaboradores uma unidade mente e coração no comando da ação.

Por décadas, as organizações atenderam a um modelo que não refletia nossa natureza humana, mas neste momento em que emergimos de uma pandemia nos damos conta que um novo modelo é mandatório para seguirmos em frente como humanidade.

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