Mas afinal, como funciona este tal de propósito?

Mas afinal, como funciona este tal de propósito?

Claudia Miranda Gonçalves

15 de setembro de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

Propósito, razão de ser, ikigai, …

Como será que ele muda nosso dia a dia e transforma nossa tomada de decisões?

Foi observando minha história que entendi como o propósito é vivido diariamente, e foi refletindo sobre minha experiência que desmistifiquei tantas coisas que ouvia falar.

O propósito não é a cura para todos os problemas, ele não acontece e salva sua vida, nem é único e estático porque nos transformamos o tempo todo. Ele não é fácil de identificar sozinho se não refletirmos sobre o tema, e, ele depende de nós, pois exige protagonismo e consciência na tomada de decisão.

Meus primeiros insights sobre o tema surgiram quando me preparava para ser mentora de um grupo de mulheres em meio a outras responsabilidades e entregas. Eu não sabia como daria conta, e refletia sobre o meu papel ali.

Neste cenário, comecei a juntar as peças do meu quebra cabeça: as coisas que eu fazia bem, as que faziam meus olhos brilharem, as que eu colocava energia independentemente de receber algo em troca, e também aquelas em que sentia que estava fazendo a diferença.

Observando estas peças vi que quando me propunha a coisas baseadas no que me impulsionava eu as realizava com muita energia e fluidez. E sempre havia tempo!

E, assim, fui passando por momentos bons e ruins.

Nos momentos ruins, me perguntava o que aquilo significava para mim para entender o que estava acontecendo; enquanto nos momentos bons, perguntava o que me colocava em um fluxo tão positivo e me deixava tão feliz.

De pergunta em pergunta fui depurando o que me movia, o que levava um largo sorriso aos meus lábios, e fui entendendo que para transformar os momentos ruins eu precisava de outra perspectiva para eles, e precisava conectar o que estava me incomodando com a minha necessidade e com o significado que tinha para minha vida.

Comecei a identificar mais momentos de felicidade e tomar decisões mais alinhadas comigo mesma. Só que eu não chamava isso de propósito…

Quando agia e tomava uma decisão que não estava em consonância com o que era importante para mim, ficava sem energia, produzia sem entusiasmo e contagiava todos a minha volta. Algumas vezes, isso até se refletia no meu desejo de sair de casa, ou na minha ansiedade para terminar as coisas. Só que eu não achava que isso era relacionado ao propósito…

Juntando as peças, entendi que minha motivação e meu fluxo estavam onde eu me sentia plena, onde eu conseguia combinar o que fazia bem e amava, independentemente do retorno.

E foi interessante, que percebendo isso, descobri que eu podia trabalhar e fazer coisas diferentes, e que para fluir minha energia a serviço do mundo, o importante era esta conexão. Só que eu não pensava que isso fosse propósito…

E assim, fazendo mudanças: no meu dia a dia com minha família, na minha rotina de trabalho, e nas minhas relações e conexões, fui sendo mais eu!

Meus dias hoje têm mais fluxo, e minhas decisões são mais conscientes. E eu entendi como funciona a sintonia com meu propósito!

Sem rótulos, fórmulas prontas, ou receitas, refletindo e observando eu trago para cada dia a intenção de me conectar com o presente e com o que me traz significado.

E você? Já juntou as peças do seu quebra cabeça?

Descobri que, de forma consciente ou não, todos vivemos nosso propósito. Porém, quanto mais conscientes, mais somos capazes de mudar a qualidade do nosso dia, e intencionalmente decidir ser felizes!

Quer ter mais controle sobre sua felicidade? Que tal buscar se conectar com sua razão de ser?

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