Reconhecimento, onde estamos errando?

Reconhecimento, onde estamos errando?

Claudia Miranda Gonçalves

13 Novembro 2018 | 10h00

Você certamente já ouviu falar em Gestão de Pessoas, em Capital Humano, em Desenvolvimento de Pessoas. Nomes “poéticos” para substituir o antiquado título de Recursos Humanos (RH). Um esforço, mais que positivo, das empresas em renomear um departamento que, há muito, já deixou de pensar nas pessoas como recursos de uma empresa.

Sim, já entendemos que os colaboradores são protagonistas do nosso negócio e toda e qualquer empresa já tem um programa voltado para eles. Tem gente até falando em Employment Branding, o que é bastante louvável. Mas, apesar de todos estes esforços, indicadores e pesquisas mostram que o trabalho está deixando as pessoas doentes, muito doentes. E, aí, eu pergunto: onde é que estamos errando? Não vou deixar você sem resposta, até porque eu tenho uma resposta fundamentada para essa pergunta: erramos porque não estamos reconhecendo o que realmente precisa ser reconhecido. Vou explicar melhor:

A maioria dos programas de reconhecimento das empresas se baseiam em coisas que estão faltando: status, dinheiro, promoção, incentivos. Coisas que faltam devem, sim, ser preenchidas. No entanto, elas não são suficientes para realmente reconhecerem um colaborador. E, cuidado, trabalhar para apenas preencher faltas pode gerar frustações. É pouco, muito pouco para resolver o problema do reconhecimento, embora, repito, sejam importantíssimas todas essas ações citadas acima.

Bom, se o problema não está no que falta, deve estar então no que está presente, ou seja, na conexão, na interação, nos relacionamentos, nos vínculos. De novo, todos estes movimentos são importantíssimos para a gestão do reconhecimento, mas, eles não chegam ao coração do problema. Eles certamente aproximam as pessoas, mas não são a resposta para solucionar a insatisfação, a desmotivação, os incômodos que andam assombrando nossas equipes.

Complicado? Não, muito simples. Olhe para esses dois lados com atenção. Cuide de preencher o que falta e de reforçar o que se faz presente, mas não pare por aí, olhe mais fundo e veja para onde o seu colaborador está olhando. Se você encontrar esse “meio”, vai descobrir um lugar profundo, verdadeiro; um lugar transformador.

Sabe que lugar é esse? Aposto que sim. Estou falando do seu Ikigai, do seu propósito. Ele fica aí, bem no meio, lá no fundo do coração. E quer saber mais? Uma equipe que encontra o seu propósito é imbatível. Ela conecta valores, crenças, missão, felicidade, satisfação, objetivo sem nenhum grau de dificuldade. Essa equipe trabalha para mudar o mundo, para ser essência. Ela não está só focada nas metas, está olhando para a “meta da meta”: o Ikigai, a razão de ser, o propósito. Como eu disse antes, isso é transformador. E sabe por que?

Porque faz sentido e é fonte de prazer;
Porque gera vínculos fortes e é compartilhável;
Porque faz crescer e permite aprender sempre mais;
Porque promove a confiança e a liberdade;
Porque faz as pessoas queridas, admiradas, valorizadas;
Porque não é falta e nem é presença.

Em outras palavras, é transformador porque faz com que o colaborador se reconheça como o agente da transformação. Isso sim, um reconhecimento e tanto. Assim, se você quer mesmo ser um gestor que olha para onde a sua equipe está olhando, siga essa trilha:

Vire à esquerda e preencha o que falta,
escolha o caminho da direita e reforce o que já é.
E, siga em frente, focando no que faz sentido.

Uma última dica: aventure-se pelo caminho do meio.