seguindo adiante

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Claudia Miranda Gonçalves

22 de dezembro de 2020 | 09h30

Estou com muita dificuldade aqui de trazer uma mensagem de fim de ano. Mensagens otimistas ou de sentir-se grato em 2020 parecem ofender algumas pessoas e parecem negligenciar o luto e dor de pessoas e negócios e comunidades. Mensagens pessimistas também ninguém precisa. Já estamos até as tampas com notícias quase surreais que nos tiram do prumo e causam vertigem.

Então, nesta fresta entre positividade e negatividade encontrei refúgio na simplicidade. É isso que eu gostaria de ver mais no  mundo: simplicidade. O que podemos fazer agora, sem depender de fatores externos? O que já está ou sempre esteve a nosso alcance fazer? Como me conectar e encontrar mais sentido no meu dia a dia?

A simplicidade foi o antídoto que encontrei para driblar e gerenciar a Síndrome da Cabana, que é a resposta a uma ameaça que o isolamento traz: nossa necessidade de pertencer e fazer parte, pois somos principalmente animais sociais. Estar em contato, inclusive fisicamente, é uma grande necessidade existencial e libera uma série de neurotransmissores e hormônios que regulam nosso bom funcionamento. Por quê? Porque desde a era Paleolítica precisamos de contato regular e cooperação com outros para sobreviver.

Inquietação, irritabilidade, impaciência, sensação de letargia, dificuldades de concentração, baixa motivação, compulsão alimentar e sono demais ou de menos são sintomas que podem aparecer. 

O sentimento de impotência ou de desesperança pode contribuir para o surgimento da depressão, abuso de drogas ou aumento de agressividade. 

A simplicidade aqui tem tudo a ver com sobreviver a esse período com maior qualidade de saúde mental e emocional que cada um conseguir. Criar momentos cotidianos agradáveis, se permitir ter momentos ruins e momentos bons.  Mexer o corpo, buscar contato social. Tomar um pouco de sol. E especialmente se disciplinar em fazer essas coisas, pois quanto mais nos largamos, mais difícil adquirir ritmo.

Adiei fazer planos e projeções maiores, pois nesse momento só me gerariam ansiedade e frustração. Busquei mais momentos de testes e prototipagem e para isso tive que abrir mão da “barra lá em cima” e resgatar a leveza com que as crianças testam e aprendem.

Ofereço aqui uma  reflexão simples, mas que provoca muitas transformações: “Quais as coisas na sua existência rotineira que fazem a sua vida valer a pena?”

A vida cotidiana é o que acontece enquanto sonhamos, planejamos. A nossa realização concreta está nela, a cada momento.

Espero que, pelo menos para alguns, um olhar fresco sobre o cotidiano mais simples também revele suas belezas e que possibilite mais leveza e presença minuto a minuto.

 

 

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