Segurança Psicológica – Por que falar tanto sobre isso?

Segurança Psicológica – Por que falar tanto sobre isso?

Claudia Miranda Gonçalves

02 de fevereiro de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Há 10 anos o Google realizou uma pesquisa com objetivo de estudar o que torna um time mais produtivo, um projeto baseado em dados que a empresa já vinha coletando ao longo de vários anos. Os resultados iniciais mostraram que personalidade e hábitos em comum dos membros do time não eram fatores determinantes e passaram a estudar a organização, o espaço de fala, o formato das reuniões.

O projeto Aristóteles[i], como é conhecido, agrupou as características identificadas em cinco[ii]temas que são relevantes para formação de times mais efetivos. E a Segurança Psicológica é um dos elementos importantes.

O tema já foi assunto por aqui antes[iii], mas tenho notado que finalmente uma importância maior tem sido dada e volto para refletirmos sobre o que significa e como fazer acontecer.

A Segurança Psicológica se refere a percepção individual das consequências geradas ao se assumir um risco interpessoal, ou seja, a segurança em poder admitir um erro, fazer uma pergunta ou oferecer uma ideia: ser vulnerável sem ser considerado ignorante, incompetente, ou ser punido.

Ao final é a combinação de respeito e abertura vivida pelo time. Quanto maior o respeito, e quanto maior a “permissão” para ser autêntico mais avançado o estágio de Segurança Psicológica no time.

Mas para além de times de alta performance, hoje esta combinação é relevante para que os times encarem de frente o desafio de resolver problemas em um entorno V.U.C.A.[iv]e busquem soluções efetivas para enfrentar a crise provocada pelo Covid-19.

O entorno da pandemia acelerou a mudança cultural já em curso e colocou definitivamente os assuntos diversidade, inclusão, colaboração e inovação na agenda dos Conselhos de Administração.

Os resultados desejados precisam de um ambiente próspero, que responda rapidamente às incertezas e volatilidade, e precisam do “walk the talk”: todos devem assumir responsabilidades e agir coerentemente.

Observo nas empresas iniciativas que contribuem, mas por vezes lhes falta a visão do todo, o entendimento das interdependências e conexões: inicialmente os membros do time devem se sentir incluídos e pertencendo, a base para possibilitar o aprendizado que estimula o crescimento, este crescimento provoca o desejo natural de contribuição que resulta em soluções inovadoras que questionam o status quo.

Vejam só estas ações práticas:

 – Rituais frequentes que contribuem para a conexão do time com estimulo de fala aberta e constante reforço do senso de pertencimento, propósito e direção.

– Encontros para discussão de problemas com objetivo inicial de clarificar questão antes de soluciona-la. Estímulo ao processo de formulação de perguntas que promovem reflexão e permitem o aprendizado ativo.

– Reuniões com rotação do time na condução. Papéis claros e senso de significado e propósito do trabalho a ser feito. Abertura para realização do trabalho sem micro gestão.

– Estímulo ao desafio do estado atual, identificando padrões e vieses de comportamento, respeitando o conhecimento local e a diversidade, trazendo ideias de fora e refletindo para aprender com os erros.

Notem que estas ações atuam em níveis diferentes, e se implementadas isoladamente trarão benefícios, porém se coordenadas e conectadas amplificam e aceleram o potencial de seus resultados!

Onde você está nesta jornada?

Vale mergulhar no assunto, se está ouvindo pela primeira vez; se já conhece, vale colocar em prática ações para promover Segurança Psicológica; e se você já está avançado neste caminho, convido a observar como estão conectadas as iniciativas, a cultura é viva e em tempos rápidos e imprevisíveis o entendimento das conexões é um grande diferencial.

Tenho trabalhado com empresas que estão nesta construção, estimulando este estado de curiosidade, vulnerabilidade e significado e sei que mais que uma palavra da moda, é a forma de navegar e sobreviver nestes mares.

 

[i]Link para conhecer mais sobre o Projeto Aristóteles

[ii]Segurança Psicológica, Confiabilidade, Estrutura e clareza, Significado do trabalho e Impacto do trabalho

[iii]Outros artigos no Blog: Para Lideres que aprendem – As bases de uma organização que aprende – Perguntas mudam o mundo – Liderar Mudanças

[iv]Termo originado do inglês que representa um ambiente Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo (V.U.C.A)

 

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