Ser e ter suficiente em 2020

coluna

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Ser e ter suficiente em 2020

Claudia Miranda Gonçalves

27 de dezembro de 2019 | 10h00

 

Na virada para 2019, escrevi o post   https://economia.estadao.com.br/blogs/lentes-de-decisao/2019-nao-espere-nada-dele/  em que minha reflexão era de focar em como me preparar para o seguinte a partir de mim mesma.

Na virada para 2020 minha reflexão é sobre o SUFICIENTE. Em 2020 quero aprender e experimentar esse conceito. Essa ponderação veio de uma experiência de outro modo inocente e corriqueira. Recém-chegada a João Pessoa, onde tenho o prazer de ter minha segunda casa, fui ao supermercado abastecer para uma semana. Como passo bem menos tempo (do que eu gostaria) lá, procuro sempre comprar o estritamente necessário para a estadia, pois costumo voltar apenas em intervalos de um mês e meio.

Se imaginou que comprei coisas a mais, acertou! Sobrou cerca de 40% dos alimentos que comprei. Não vou culpar as embalagens. Lá no mercado cuidei desse aspecto. Ao me preparar, depois de uma semana lá, para ir embora, me dei conta da quantidade excessiva de comida que havia comprado.

Por que não sei comprar o apenas suficiente?

Minha reflexão, depois de culpar os tamanhos das embalagens, passou ao meu piloto automático. Tive impulsos de aproveitar o preço de algo, o famoso levar mais por menos; tive o impulso de achar que eu merecia uma variedade de produtos, o que fez muitas pequenas quantidades sobrarem; tive medo de levar pouco demais e faltar.

Como, numa era de tanta abundância e desperdício, ainda tenho medo da escassez? Que tipo de valores e experiências sustentam o medo de faltar algo? Sei que muitos têm a experiência real de escassez e falta; mas eu, não. E, ainda assim, me comporto como se a qualquer momento pudesse acontecer comigo.

Quando vi esse meu piloto automático, decidi dedicar 2020 a ser e ter suficiente. O ter suficiente, explorei acima. E o que pode significar ser suficiente?

Ser suficiente significa que me libero das expectativas de ser mais do que sou. De frequentemente ser minha pior crítica. Estar na falta e na culpa. Competir com os outros, não poder relaxar.

Ser suficiente significa colocar a minha energia em ser minha própria melhor versão. Para isso preciso me olhar e me aceitar, aprender a rir comigo mesma, acolher tanto as frustrações quanto os momentos em que me sinto o máximo. Ganhar conforto em minha própria pele e a partir desse lugar que é só meu, explorar meu desenvolvimento mais autêntico.  Estar mais próxima de meu propósito, que me energiza e dá significado.

De onde estou, continuo achando que o melhor jeito de começar qualquer ano é de dentro pra fora.

Desejo a todos um 2020 suficiente em amor, trabalho, alegrias, amizades, família, desafios, saúde, arte e cultura.

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