Ser feliz é uma escolha

Ser feliz é uma escolha

Claudia Miranda Gonçalves

04 de maio de 2021 | 10h30

A felicidade é uma escolha.

A primeira vez que li esta frase fiquei um pouco incomodada… pensei o que me impedia de escolhe-la todos os dias.

Achei que entender melhor o que está por trás da felicidade mudaria minhas relações.

Quando penso em escolha duas coisas me vêm a mente: consciência e protagonismo. Poder fazer escolhas conscientes é ser capaz de assumir as rédeas de nossa vida com liberdade.

Este tem sido um dos meus propósitos, estimular protagonismo gerando consciência, por isso fui entender mais sobre esta tal felicidade…

Acontece que cientistas vêm pesquisando há algum tempo sobre felicidade e dizem que 50% dela vem dos nossos genes. Dos 50% que não são relacionados aos genes, 10% são atribuídos a circunstâncias externas como emprego, dinheiro, vida social e saúde, mas são os 40% restantes que nos dão poder, pois estão nas atitudes e comportamentos intencionais, do nosso dia a dia.

Felicidade é importante para mim, e no meu trabalho, eu diria que quase 100% das pessoas estão, direta ou indiretamente, buscando por ela.

Vivemos felicidade através de emoções de satisfação, contentamento e esperança, e o mais comum é reconhece-las em circunstâncias externas.

Aqui está um ponto importante de virada, reconhecer que felicidade tem um caráter mais estável e durável de equilíbrio, e que quando assume um caráter temporário talvez estejamos confundindo felicidade com prazer.

Para ser capaz de escolher a felicidade temos que agir com foco no que está sob nosso controle. Nossa principal fonte de felicidade está nas coisas que gostamos de fazer, coisas com significado e na apreciação pelo que já temos. Nada disso depende de circunstância externa!

Ao atribuirmos nossa felicidade a alguém ou a alguma coisa nos tornamos dependentes e nunca ficamos satisfeitos, não encontramos equilíbrio.

Pense só o que é ser feliz no trabalho… Se for reconhecimento, posição, dinheiro a busca será incessante, sempre existirá espaço para mais, porém se for bem-estar, apreciação, e significado isso reverbera de forma duradoura.

Existem estudos com vítimas de tragédias e perdas importantes na vida que apontam sobre um ponto de equilíbrio no cérebro que faz superar esses momentos, e que a habilidade de voltar ao seu estado de espírito rapidamente é uma das chaves da felicidade.

Os estudos da psicologia positiva definem pessoas felizes como aquelas que estão satisfeitas com a vida e que têm mais estados de ânimo positivos do que negativos.

E assim, busquei encontrar minha forma de escolher ser feliz e comecei a mudar padrões de atitudes e comportamentos que estavam enraizados, mas que representavam os 40% que tenho controle.

Um processo de mudança longo, mas essencial para deixar florescer o que existe de melhor em mim.

Hoje decido estar perto das pessoas que amo, família e amigos que fazem a diferença. Escolho as novas experiências e aprendi a ser grata pelas oportunidades que elas me proporcionam.

Não busco coisas grandiosas, mas coisas significativas que surgem no sorriso de outras pessoas ou no silêncio de quem descobriu um caminho potencial a ser seguido.

Aprendi a me deixar conhecer mais, ser vulnerável, e assim abrir caminho para a humanidade nas minhas relações, acesso meus sentimentos e necessidades.

Diariamente busco o equilíbrio interno, alguma prática que me conecte com o amor que passou a guiar minhas atitudes e comportamentos.

Minhas relações estão mudando, como imaginei, porque cada vez mais consigo encontrar a felicidade dentro de mim e escolhe-la mesmo diante de situações difíceis e desafiadoras, é um exercício diário que exige resiliência e persistência!

Não existem fórmulas, mas a consciência de que está em nossas mãos pode mudar significativamente a possibilidade de ser feliz todos os dias.

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