Sobre dizer “não”

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Sobre dizer “não”

Claudia Miranda Gonçalves

03 de novembro de 2020 | 10h30

Por Andréa Nery

Depois de alguns meses sem sair de casa tenho a oportunidade de estar no campo, estou sozinha, rodeada por um silêncio quebrado somente pelo vento nas árvores e o cantar dos pássaros. Aproveito para fazer um balanço sobre tantas coisas que mudaram nos últimos meses.

Para estar no campo disse “não” a dois convites de trabalho, e fiquei dividida querendo encontrar formas de fazer todas as coisas ao mesmo tempo.

As experiências têm sido muito intensas e seguem trazendo um incontável número de aprendizados, a retomada gradativa das atividades vem provocando novas reflexões sobre prioridades.

As prioridades têm sido traduzidas em ações, compondo uma lista que parece ter rolagem infinita… As demandas chegam de todos os lados: empresa, clientes, casa, amigos, família, filhos, …

No silêncio do campo e com o sol da manhã aquecendo meu corpo vou tentando entender como seguir alinhada com o que realmente importa.

E em um momento de vazio de pensamentos me conecto com sensações de onde emergem as ideias e o caminho para esboçar as primeiras respostas.

Na raiz das prioridades está o gatilho que define cada ação, algo do qual nos desligamos quando vivemos correndo, sobrecarregados, e atuando no piloto automático: a necessidade.

Reconhecer que temos necessidades é aceitar nossa humanidade, das necessidades mais básicas como água e comida, às necessidades mais complexas como reconhecimento e pertencimento, é assim que nos movimentamos no mundo e evoluímos.

Nossos sentimentos são mensageiros de nossas necessidades e se aprendermos a aceita-los e a traduzi-los iniciamos um ciclo virtuoso.

Acessar a necessidade por trás de cada ação permite rever prioridades e se manter resiliente e focado.

Ainda que possa ser incomodo, entender e nomear a necessidade nos tira do processo automático e aumenta a consciência para tomada de decisão.

E na tomada de decisão consciente reside a importância de dizer “não”.

O “não” é determinante para vivermos mais felizes e alinhados com o que desejamos para nós mesmos.

Através do “não” colocamos limites e definimos contornos a partir dos quais podemos ter nosso espaço de liberdade, onde podemos ser nós mesmos e assumir o comando. Saímos da esfera das urgências ou circunstâncias.

Muitas vezes nos deixamos guiar pelo medo e não permitimos que as pessoas que estão ao nosso redor saibam quais são nossos limites, e por nos submeter, também não nos preocupamos em entender os limites e motivações do outro quando ouvimos um “não” como resposta.

Colocar limites é permitir que nos conheçam e que entendam o que é importante para nós.

Falar ou ouvir a palavra “não” é saudável e natural.

Um caminho para este aprendizado é começar a refletir como ouvimos o “não”.

Se ao ouvir um “não” formos capazes de entender e nos conectar com a necessidade do outro, quem sabe também não começamos a entender e nos conectar com nossa própria necessidade.

Em um movimento cada vez mais consciente e proposital, se a tomada de decisão estiver alinhada a necessidade, se a necessidade se refletir na prioridade, ao dizer o “não” para uma coisa, obrigatoriamente estaremos dizendo “sim” para o fluir do que vai nos atender e nos fazer mais felizes.

O ciclo precisa ser iniciado.

Em meio a tantas mudanças, como você tem se sentido?

O que seus sentimentos revelam sobre suas necessidades?

E como suas prioridades estão atendendo o que é mais importante na sua vida?

Diga “não” sempre que se distanciar do que é essencial. Um “não” dito olhos nos olhos, cordial, rápido, simples e firme. Experimente, seja fiel a você mesmo e deixe que o outro conheça seus limites.

O mundo precisa disso e você também!

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