Tecendo a rede da confiança

Tecendo a rede da confiança

Claudia Miranda Gonçalves

05 de outubro de 2021 | 10h30

Por Andréa Nery

Todo trabalho que realizamos, com uma ou mais pessoas, exige uma base forte para que situações diversas possam ser tratadas de forma aberta e madura para manter o foco no que importa.

Quando um grupo de pessoas se junta com objetivo e propósito comuns, por trás de suas relações começa a ser tecida uma rede importante.

Uma rede com conexões invisíveis que permite a cumplicidade e torna o trabalho possível. Uma rede que proporciona a segurança necessária para que cada indivíduo esteja presente no seu melhor ao mesmo tempo que permanece engajado com o todo.

A ausência desta rede tem como resultado o medo, a falta da troca de ideias e de debates, além de um gasto excessivo de energia para evitar expor fraquezas, falta de habilidades, problemas interpessoais e erros.

Infelizmente encontramos raízes em nossa cultura e educação que influenciam nosso comportamento e que são desfavoráveis ao desenvolvimento natural de uma base forte para os trabalhos em equipe.

A verdade é que aprendemos desde muito cedo que não devemos ser vulneráveis, a vulnerabilidade é apresentada como uma fraqueza que nos expõem e nos diminui.

Vivemos em ambientes competitivos e que favorecem a proteção de nossa reputação, e nos dedicamos a preencher falhas, esconder situações que acreditamos nos excluir do grupo, dificilmente somos estimulados a focar em nossos pontos fortes e apreciar o que temos de melhor em nossas diferenças.

Com o tempo estes comportamentos ficam tão enraizados que não nos damos conta de como estas atitudes drenam nossa energia e descarregam nossa bateria.

A inteligência emocional contribui para quebrar este padrão, e se tornou característica importante para lidar com pessoas e ajudar no fortalecimento do que sustenta e fortalece esta rede, a confiança.

Nas equipes onde observamos falta de confiança as pessoas trabalham isoladas pois temem pedir ajuda ou dar feedbacks, escondem seus erros e fraquezas, tiram conclusões sem tentar esclarecer, não oferecem ajuda ou reconhecem e exploram as experiências e habilidades dos outros, se ocupam controlando o próprio comportamento para causar boa impressão e por isso temem as reuniões, tornando-as pouco produtivas.

O papel da liderança, formal ou informal, é essencial para o time transformar e modificar a base, promover a confiança, o líder deve demonstrar sua própria vulnerabilidade de forma verdadeira estimulando que toda equipe também assuma riscos e vivencie a vulnerabilidade como uma força e não fraqueza.

Onde a confiança está presente, as equipes aceitam perguntas e informações sobre suas áreas de responsabilidade, permitem ser questionados antes de chegar a conclusões negativas, sabem valorizar e explorar experiências uns dos outros, conhecem seus limites e aprendem a se apoiar e complementar, pedindo ajuda e oferecendo feedbacks sem se importar com os riscos assumidos, focando no que é realmente importante para se alcançar o objetivo comum.

O comportamento consistente facilita e agiliza o desenvolvimento da base da confiança, algumas práticas incorporadas no dia a dia ajudam a manter e sustentar as mudanças e são um convite a responsabilização de cada um no processo.

– Compartilhem experiências, reais, verdadeiras que mostrem suas histórias.

– Façam perguntas simples e pessoais para que o time se relacione em uma base mais pessoal para gerar empatia e compreensão.

– Procurem estimular apreciação, identifiquem a contribuição mais importante de cada um do grupo e também procurem identificar onde existem oportunidades de melhoria.

– Promovam o autoconhecimento, para que todos identifiquem seus pontos fortes e reconheçam o que provoca desgaste e stress.

– Crie ambientes de troca onde todos podem se conhecer melhor e podem contribuir com seu melhor.

Tecer a rede da confiança que sustenta os times exige resiliência e tem que ser um trabalho contínuo e intencional onde todos são responsáveis.

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