Transição de carreira: meu caso de sucesso

Transição de carreira: meu caso de sucesso

Claudia Miranda Gonçalves

07 de janeiro de 2020 | 10h00

texto por Livia Zillo

Ela pode pegar de surpresa, ser planejada e até desejada; a famosa “transição de carreira” quando acontece pode ressignificar ou reinventar sua relação com o trabalho e com você mesmo. Aqui vou contar para vocês como é passar por uma grande transição de carreira, as vantagens, desvantagens e aprendizados dessa experiência.

Pequenas transições de carreira são aquelas que abrangem as mudanças de posicionamento dentro de uma área, e as grandes transições são conhecidas por acontecerem quando você realiza uma mudança na sua área de atuação,  e esse foi o meu caso.

Formada em Ciências Biológicas e atuando na área acadêmica e de pesquisa por aproximadamente 10 anos, cursando Mestrado e Doutorado, coordenando projetos  e contribuindo ativamente com a comunidade científica brasileira e internacional, eu me tornei uma competente bióloga e pesquisadora, mas ser competente em algo não significa que você deva realizar essa atividade pelo resto da sua vida. Como seres humanos nós nos moldamos às nossas experiências de vida, nos adequamos e evoluímos de acordo com nossos aprendizados, o que diretamente influencia quem somos como profissionais.

A primeira sensação que tive quando considerei ter uma nova profissão foi a sensação de falta de pertencimento. Estar ali e fazer aquilo não se conectava mais comigo, eu já não fazia mais parte. O propósito havia se perdido, e com ele a energia, a motivação e a disponibilidade, não era mais o meu trabalho que me fazia pular da cama, não era mais no meu trabalho que eu tinha prazer em utilizar o meu tempo, fazer o que eu fazia já não tinha mais sentido, e essa sensação já permeava por aproximadamente dois anos, no entanto só ficou nítida e urgente no último semestre do Doutorado.

Passei a me permitir experimentar novas habilidades, como uma boa cientista me tornei muito prática e resolutiva, tudo era preto ou branco e acredito que deixei de enxergar as sutilezas dos acontecimentos ao meu redor nesse período de pesquisadora, e foi por isso que optei por realizar um curso de Fotografia, algo que eu tinha muito prazer em fazer e que naturalmente me conectaria com uma parte mais subjetiva e com mais nuances dentro das minhas experiências com essa área de atuação.

Ao terminar o Doutorado eu percebi que o meu ciclo nesta área havia terminado. Tudo que eu precisava aprender para traçar um caminho profissional diferente, já havia sido aprendido, e esse insight só chegou até mim quando percebi que na verdade não era a atividade que me desmotivava, mas sim o fato de eu não conhecer mais o meu propósito.

Em busca desse propósito eu percebi que precisaria sair da minha zona de conforto e experimentar desafios, descobertas e me arriscar. Eu estava escolhendo seguir um caminho imprevisível, e lembro que possuir o apoio das pessoas ao meu redor e ter uma coach nesse processo de transição, foram essenciais. A insegurança, o medo e a incerteza permeiam essas decisões, e são basicamente essas emoções que impedem muitas pessoas de buscarem realização profissional em uma área diferente de atuação.

Mergulhei na Fotografia ao mesmo tempo que surgia uma oportunidade para morar nos Estados Unidos por dois anos, e foi essa oportunidade que concretizou para mim o início de uma nova fase profissional. Atuei como fotógrafa por um ano, ainda no Brasil e chegando nos Estados Unidos assumi essa habilidade como um hobbie e uma vez que não poderia trabalhar de forma legal no país decidir tirar algum tempo sabático.

Por ser uma pessoa dinâmica  e com sede por conhecimento, esse sabático durou apenas seis meses, no entanto foi essencial para que eu entrasse em contato com questões como: “O que realmente gosto de fazer?”, “O que quero aprender com minhas atividades?”, “Estou em busca do quê?”. E finalmente entendi que precisava possuir mais auto-conhecimento em busca destas respostas, optando por cursar um treinamento com duração de um ano que me permitiria, ao mesmo tempo que me desenvolvia e evoluía, trabalhar com desenvolvimento humano através do coaching de liderança.

Uma das primeiras atividades do treinamento era realizar uma atividade que me ajudaria a entender e nomear o meu propósito, o que descobri ser “Esclarecimento”, e que significava que a minha energia e motivação para trabalhar surgiria a partir de minhas vivências experienciando o esclarecimento, e que isso seria diretamente realizado com pessoas que gostariam de olhar para suas questões pessoais e profissionais adquirindo maior clareza e satisfação nas suas escolhas.

Contando para vocês sobre minha trajetória, noto que os acontecimentos na minha vida pessoal e profissional foram naturalmente se integrando, e que minha transição de carreira não havia sido planejada, mas ela foi desejada. Abri minha empresa de desenvolvimento humano, e seis meses depois me tornava sócia da Ikigai, junto com Cláudia Gonçalves e Paula Braga, incluindo ainda mais uma habilidade e área de atuação no meu currículo, a consultoria acadêmica. Foi nesse momento que minhas experiências acadêmicas e minha habilidades de coach se fusionaram para dar suporte à candidatos de MBA fora do Brasil.

O caminho que percorri para chegar aonde estou foi repleto de reflexões, adaptações e aceitações, e tenho a convicção de que o seu caminho será diferente do meu, e do seu colega ou familiar. O que realmente importa quando você decidir mudar totalmente sua vida profissional, é buscar respostas dentro de si como indivíduo – alinhando seus desejos, habilidades e até mesmo valores, descobrindo seu propósito e o integrando com seus planos e ambições.

Conheço dezenas de casos de sucesso de transição carreira, e não existe um jeito certo ou errado de fazer isso acontecer, e nada que possa garantir seu sucesso, algumas vezes a transição pode ser forçada devido à uma necessidade do mercado, imaginando que as previsões para os próximos 15 a 20 anos são de que 50% das profissões da forma como são hoje vão deixam de existir, de acordo com Vivianne Narducci, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em outras situações, você pode se planejar por alguns anos, e então realizar a transição, talvez empreendendo em uma área diferente, e este planejamento não significa que o processo será mais previsível ou mais controlado, ainda existirão incertezas, dúvidas e obstáculos, no entanto é possível que você esteja mais preparado como pessoa e profissional.

Você está vivenciando uma época de diversas mudanças sociais, tecnológicas, políticas e econômicas, onde a necessidade por mudança é certa. E é por isso que a afirmação

“Mudar sempre será uma opção de carreira”,

da executiva Márcia Almström, da consultoria em recursos humanos ManPower, nunca foi mais verdadeira.

É importante que você entenda e sinta-se parte deste sistema em adaptação, e veja isso como uma oportunidade de descobrir-se e evoluir, trazendo uma contribuição para o mundo que esteja de acordo com o seu propósito, disseminando a importância de estar presente em seu melhor versão.

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