Tudo bem se você estiver confuso…

Tudo bem se você estiver confuso…

Claudia Miranda Gonçalves

01 de junho de 2021 | 10h34

Por Andréa Nery

Liderar nos dias de hoje tem sido um grande desafio, com tantas mudanças acontecendo em velocidade sem precedentes existe uma forte percepção de confusão.

O cenário atual coloca em xeque a necessidade de prever o futuro, e a lógica comum perpetuada nos ambientes de negócio que favorecia o comando e controle.

Lidar com esta situação tem gerado alto grau de stress e ansiedade sem contar o medo e a tristeza que rondam os home offices.

As respostas que as empresas têm dado a esta situação demonstram seu grau de flexibilidade e resiliência e começam a delinear o que pode ser a visão futura das empresas que sobreviverão a esta turbulência.

Empresas e lideres dominados pelo medo persistem em atuar em uma direção contrária ao fluxo dos acontecimentos e ficam como que congelados em seus velhos hábitos, buscando na experiência e performance passadas as soluções para as questões atuais.

Como que na esperança de um retorno a um “novo normal” mudam seu discurso, mas não promovem a transformação na profundidade necessária para proporcionar a sustentabilidade que precisa existir no seu produto ou serviço.

Por outro lado, aqueles que admitem o medo e a fraqueza são capazes de entender que não se trata de seguir prevendo o futuro e sim de liderar as transformações com uma visão mais ampla das conexões e uma mentalidade mais aberta para testar e aprender rapidamente com as experiências vividas e com as situações que se apresentam.

Para seguir em frente será preciso promover uma grande mudança e repensar a forma como os lideres vem sendo desenvolvidos, reconhecidos e cuidados.

Uma nova cultura de liderança será necessária para desafiar antigas crenças onde super-heróis definem a direção e usam sua experiência para controlar os negócios e alcançar resultados; ou onde o sucesso profissional só existe se você separar sua vida no trabalho da sua vida pessoal.

Mas como isso pode acontecer?

Acredito que tudo se inicia ao se admitir que nenhum de nós tem certeza completa que as ações que estão sendo tomadas vão provocar os resultados previstos.

Se assumimos isso, nos permitimos estar em uma posição de mais humildade, tiramos a capa de super-heróis e nos abrimos a escuta das diferentes perspectivas trazidas pelos diversos olhares e experiências existentes no negócio.

Entendemos a importância da multiplicidade e abraçamos a diversidade que deve estar presente para potencializar o sucesso.

O foco passa a ser no resultado e na resposta mais imediata, para gerar uma prontidão a mudança, e um forte processo de aprendizado que se ajuste aos contextos.

Isso coloca o propósito em um lugar de destaque, ele tem que estar vivo e incorporado em cada movimento, do contrário será como ficar a deriva e sem rumo.

Aprender é a máxima em todos os níveis, e para isso o ambiente deverá estimular autonomia e promover segurança psicológica para que se assumam riscos interpessoais e se identifiquem oportunidades.

A realidade é que as ferramentas e as abordagens necessárias não estão prontas e disponíveis, elas serão construídas de um lugar de vulnerabilidade que levará cada um a percorrer sua própria jornada de autoconhecimento.

A possibilidade de lidar com a complexidade só vai existir se os lideres forem capazes de desenvolver habilidades que ampliem sua visão e percepção para as conexões e interdependências.

Não se trata de jogar no lixo processos e estruturas que permitem a organização ser mais efetiva, mas sim de humanizar os ambientes de trabalho para que os silos se dissolvam e exista fluxo, colaboração e uma tomada de decisão mais descentralizada.

Trata-se de um grande movimento de transformação onde aceitar a confusão é só um primeiro passo!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.