UM POUCO DE TUDO,  COM BASE NO MESMO

UM POUCO DE TUDO, COM BASE NO MESMO

Claudia Miranda Gonçalves

07 Novembro 2018 | 07h23

Por Flavia Ferrari

Participar de um evento enorme como o WebSummit é uma experiência incrível. Não só em termos do conteúdo dividido, do privilégio em vivenciar esse ambiente multicultural mas tem um baita impacto pessoal.

Uma das coisas que mais me pegou de cara foi o sentimento de não conseguir absorver tudo que está ao meu alcance. Há tantos talks interessantes mas eles duram em média 20/25 minutos e acontecem em 9 palcos distintos praticamente sem intervalos entre cada um deles. O porém é que os palcos ficam distantes entre si e a audiência é imensa em cada um deles. Ou seja, sem um bom planejamento de agenda, a verdade verdadeira é que você pode ficar rodando entre um espaço e outro e assistir a muito menos conteúdo do que gostaria/deveria/poderia.

Mesmo com um bom planejamento em mãos, a sensação de absorver menos continua. Em uma conversa com a minha amiga Juliana, que também está comigo no WebSummit trazendo novidades para o mercado publicitário, fiquei sabendo sobre o termo “técnico” para esse medo: FOMO (fear of missing out). Ou seja, minha “loucura” já está catalogada na medicina.

E por que eu dividi estes dois testemunhos pessoais com você neste nosso espaço dedicado ao empreendedorismo: porque as duas situações mostram claramente dois dilemas empreendedores.

Sem um bom PLANEJAMENTO, um empreendedor pode ficar rodando em círculos sem conseguir atingir os pontos os quais gostaria/deveria/poderia. Pode parecer batido, pode parecer chavão, pode parecer tudo mais o que você quiser/achar porém é verdade. Planejar é a alma do negócio. Como diria o Gato De Cheshire em Alice no País das Maravilhas: “Se você não sabe para onde vai não importa o caminho”.

Sem FOCO, você pode se angustiar pelo FOMO. O foco, como o próprio nome diz, traz clareza à visão, delimita o início e o final de um objeto que você enxerga e coloca tudo em uma perspectiva mais definida. O foco mostra o alvo, onde devemos chegar, o planejamento trilha o caminho.

E agora que o famigerado FOMO passou, vamos contar um pouco mais do que vi por aqui para inspirar nossos voos.

Uma das coisas que mais me chamou atenção foi a beleza de ter em um mesmo espaço pessoas com objetivos distintos unidas em torno da tecnologia. Há pessoas interessadas em conteúdos variados (grupo do qual faço parte, escrevendo e dividindo ideias), há os empreendedores que estão vendendo seu peixe nos mais variados níveis (nos pitches, nos espaços de apresentação de suas ideias nos pavilhões) , há os investidores em busca de sua nova – ou novas apostas, há os governos mostrando espaços/incentivos para o novo acontecer. É bonito ver toda essa engrenagem acontecendo.

Para um empreendedor que passa por aqui é interessante vagar pelos espaços de cada startup nos pavilhões e ver como cada uma delas “vendeu seu peixe” no pequeno espaço visual que tem disponivel para se apresentarem e “venderem seu peixe”. E se você pensa em empreender no mercado de tecnologia acho que vale considerar participar de um evento como esse para se apresentar, fechar parcerias, conseguir financiamento, lançar-se no mundo.

Aprende-se muito por aí.

Também aprende-se demais ouvindo que um grande negócio constrói-se numa base de fãs, que vão muito além de uma simples audiência. Que confiança continua sendo a base do negócio, ainda mais em um mundo repleto de fake news. E que essa engrenagem do bem, da confiança, sustenta agora um dos maiores veículos de mídia do mundo, o The Guardian – que tem como sua principal fonte de receita as doações de seus leitores.

Todas as peças se interligam e interagem quando olhamos nossos planos à distância, mas os mesmos princípios éticos e de verdade prevalecem desde sempre.