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Thomas Piketty e o espírito do tempo

Luciano Sobral

22 de abril de 2014 | 08h51

Desperto o blog da sonolência dos últimos meses para falar sobre o que todo mundo tem falado (o mundo como esse estranho lugar onde as pessoas debatem conceitos abstratos ligados a dinheiro e produção): o novo livro de Thomas Piketty, “Capital in the 21st Century”, que deve roubar de “Why Nations Fail” e “This Time Is Different” o título de obra de economia menos lida (qual o público para um trabalho acadêmico de mais de 600 páginas, traduzido do Francês, por mais que escrito de forma acessível e bem editado? Admitindo que fica bonito na estante, “CAPITAL” em letronas vermelhas na lombada) e mais comentada deste século.

Como parte do tour de lançamento da obra nos EUA, que o New York Times noticiou como “Economist Receives Rock Star Treatment”, ontem o autor parou por aqui, mais especificamente do lado da sala onde eu costumo ter a maioria das minhas aulas. Cheguei meia hora antes, com a intenção de olhar o movimento e comer algo antes de sentar; acabei, alertado por um amigo, pegando um dos últimos lugares disponíveis. A sala foi enchendo, enchendo, enchendo, enchendo, e, quando Piketty chegou, poucos minutos atrasado, havia gente em pé, a um metro da porta, esticando o pescoço para tentar ver e ouvir qualquer coisa. De fato, tratamento de rock star.

Piketty foi apresentado por Larry Summers como o autor do livro de economia que “causou mais sensação do que qualquer outro em duas décadas, abraçando uma vasta rede de informação e experiência.” A tal rede de informação foi construída em um projeto de 20 anos de pesquisa que juntou dados de declarações de renda de mais de 20 países, com séries começando, em alguns casos, no fim do século XVIII. Depois de dividir o mérito dessa base de dados com um grande time de pesquisadores, Piketty logo disse que o objetivo principal do livro é difundir o conhecimento sobre a evolução da riqueza no mundo (zhe knowledge ov evolution ov wealth) e que as recomendações de política econômica são secundárias (mais sobre isso adiante). Sua intenção era atualizar o famoso trabalho de Simon Kuznets, um dos pais do uso de métodos empíricos na economia, agora com mais dados de mais países e poder de computação infinitamente maior.

 

O restante do texto está no The Drunkeynesian.

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