<i>Concertação</i> do PMDB

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Concertação do PMDB

Construção de uma agenda econômica mínima serve de pretexto para se buscar um consenso entre os caciques. O objetivo: desembarcar do governo Dilma

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

17 de novembro de 2015 | 12h31

Michel Temer e Dilma Rousseff (André Dusek/Estadão)

Michel Temer e Dilma Rousseff (André Dusek/Estadão)

Ainda que tenha sido esvaziado e não vá anunciar o rompimento imediato com a presidente Dilma Rousseff, o Congresso do PMDB nesta terça-feira dá seu primeiro passo simbólico para começar o desembarque do partido da gestão petista. O pretexto para a independência futura é uma plataforma de agenda mínima de propostas e reformas econômicas, sintetizado no documento “Uma Ponte para o Futuro”.

A tentativa de reagir às crises na economia e na política – principalmente com os desdobramentos da Operação Lava Jato, que atinge importantes quadros peemedebistas – fez o partido ensaiar um esboço de programa de governo. Já é um avanço essa concertação do PMDB, em se tratando de um partido que historicamente tem sido uma federação de legendas com caciques regionais e que, desde 1994, com Orestes Quércia, não concorre ao Palácio do Planalto, mas participa de todos os governos desde a transição democrática.

No documento, o partido faz um diagnóstico preciso: o desequilíbrio fiscal se tornou o “mais importante” obstáculo para o crescimento do País por gerar inflação, juros muito altos, impostos elevados, pressão cambial, retração do investimento privado e incerteza sobre a evolução da economia. E diz que, sem reformas de caráter permanente – tidas como questão prévia e que nenhuma visão ideológica pode mudar isso -, qualquer esforço para melhorar a economia será inútil. Cita ainda a necessidade de reforma da Previdência, com adoção da idade mínima e o fim da indexação de benefícios.

O teor da cartilha é alvo de críticas internas e não faz autocríticas, como se o PMDB não fosse governo: tem o presidente do partido como vice, Michel Temer, e na mais recente reforma ministerial recebeu sete ministérios. O texto diz que o governo federal “cometeu excessos” ao, por exemplo, criar novos programas, admitir servidores ou assumir investimentos acima da capacidade fiscal do Estado. Só agora Temer fala da necessidade de se adotar “remédios amargos”.

Um dos coordenadores do evento, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) ressalva que o documento é um ponto de partida para o fechamento de um programa único em março, na reunião da Executiva Nacional do partido. A expectativa é que na ocasião o partido defina o rompimento com o governo. Para Jucá, o documento já contém ações que deveriam ser imediatamente implementadas para fazer a transição econômica do País.

A oposição tem tratado a cartilha e a movimentação do PMDB com desdém. Até o momento, não quis se contrapor solidamente às propostas, que em parte se apropriam de ideários tucanos. Mas prepara também sua agenda mínima a ser divulgada em breve.

Aliados do governo assistem à movimentação peemedebista com preocupação. Atuam para evitar que o evento do PMDB exponha ainda mais Dilma. A presidente busca manter o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, alvo de ataque principalmente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, e ainda aprovar o ajuste fiscal no Congresso para tentar, em seguida, reanimar a economia. “O evento não ajuda”, resume um parlamentar alinhado com a presidente.

Escreva para nós: lupa@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: