A tardia reação tucana

A tardia reação tucana

Sem perspectivas de retirar Dilma Rousseff do Planalto até o fim do ano e com o agravamento da crise econômica, tucanos começam a adotar ação mais propositiva na política e na economia

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

12 de novembro de 2015 | 19h29

Aécio Neves ( Dida Sampaio/Estadão)

Aécio Neves ( Dida Sampaio/Estadão)

A cúpula do PSDB alinhada ao presidente do partido, o senador Aécio Neves (MG), começou a reagir após apostar numa saída “legal” da presidente Dilma Rousseff ainda este ano e, em razão dessa estratégia, não apresentar qualquer proposta concreta para a superação da crise econômica, ao julgar que este não é o papel que cabe à principal legenda de oposição do País.

Desde o início de 2015, os aecistas investiram sua energia política em retirar a presidente do Palácio do Planalto por duas vias: a do impeachment, num acordo tático com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ou a do Tribunal Superior Eleitoral, com a cassação de Dilma e do vice Michel Temer – solução mais conveniente para Aécio, que poderia concorrer a novas eleições tendo a favor de si o recall de 51 milhões de votos que teve na derrota contra Dilma.

Para se manter no cargo com a Lava Jato no seu encalço, Cunha cozinhou na mesma água do banho-maria o PSDB, ao não levar adiante o impeachment, e o governo, ao segurá-lo. Expôs principalmente os tucanos, que foram até o limite do desgaste. Com a mudança na relatoria, o TSE também esfriou a fritura que os tucanos preparavam para cassar a chapa Dilma e Temer.

Independentemente do futuro de Dilma, tucanos passaram a defender a saída do outrora aliado Cunha. E só recentemente despertaram para a necessidade de encontrar saídas para a crise econômica que abate seis governadores do partido e parlamentares e filiados ao partido que são empresários. Não à toa senadores do partido têm se tornado presença habitual em encontros com governistas para conversar sobre o momento atual.

A propósito, coube ao aliadíssimo de Aécio, o senador Antonio Anastasia (MG), o desagravo ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em jantar na terça-feira, 10, na casa do líder do PMDB do Senado, Eunício Oliveira (CE). Enquanto petistas se calaram diante da saraivada de críticas, Anastasia lembrou que Levy foi convocado para acertar a economia, não sendo, portanto, o responsável pela crise.

Agora o PSDB terá de correr atrás do PMDB, que, no fim do mês passado, apresentou um programa econômico com propostas do receituário tucano. Na agenda mínima que será lançada em breve, tocada principalmente pelo economista Mansueto Almeida, devem constar propostas para reformas da Previdência, tributária e pacto federativo. O tom dentro da cúpula partidária é o de que, se o governo tiver uma pauta para o País, o PSDB vai ajudar. Por isso o apoio da legenda à prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União), mas a objeção à volta da CPMF, principal agenda do ajuste fiscal.

Nesta quinta-feira, 12, o PSDB – que para desgastar o governo quis há dois meses acabar com o fator previdenciário, criado no governo FHC – deu uma demonstração de responsabilidade: fechou um acordo com governistas da Comissão Mista de Orçamento (CMO) para aprovar que na prática obrigará o governo a ter um maior rigor com as contas públicas em 2016 em troca de não fazer na próxima semana um cavalo de batalha na votação da mudança da meta fiscal deste ano.

Para um partido historicamente conhecido pela indefinição, ao menos o PSDB desceu do muro, mesmo sendo tardiamente.

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