Ajuste vira tema de eleição municipal e é chave para corrida ao Planalto

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Ajuste vira tema de eleição municipal e é chave para corrida ao Planalto

Discussão sobre acerto das contas públicas entrou no discurso de candidatos durante a campanha a prefeito. Debate prenuncia o que ocorrerá na disputa presidencial em 2018

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

04 de outubro de 2016 | 11h17

(ACM Neto/Divulgação)

(ACM Neto/Divulgação)

Uma safra de prefeitos eleitos e de candidatos que ainda vão concorrer ao segundo turno no final de outubro demonstrou, de forma inédita desde a redemocratização, que a defesa de medidas de ajuste fiscal nas contas virou tema de campanha nas eleições municipais. Se outrora poderia soar impopular a pregação por ações de austeridade, o discurso de eficiência dos gastos públicos entrou para agenda dos concorrentes e, segundo dirigentes partidários das mais diversas matizes, será chave para qualquer um dos que almejam disputar o Palácio do Planalto em 2018.

Prefeitos reeleitos como Teresa Surita (PMDB) em Boa Vista (RR), ACM Neto (DEM) em Salvador (BA), Luciano Cartaxo (PSD) em João Pessoa (PB) e Marcus Alexandre (PT) no Rio Branco (AC) afirmaram, em maior ou menor grau durante a campanha, que uma gestão pública comprometida com os gastos permitiu a manutenção de serviços essenciais para a população mesmo diante da forte crise fiscal que abateu sobre praticamente todas as 5.568 cidades brasileiras.

Por outro lado, candidatos como o deputado federal tucano Nelson Marchezan Junior, que vai concorrer ao segundo turno à prefeitura de Porto Alegre (RS), têm adotado o discurso de combate ao fim dos privilégios do serviço público como plataforma de campanha. Marchezan se envolveu numa polêmica na Câmara ao chamar de “vagabundos” servidores que acompanhavam uma discussão na Comissão de Constituição e Justiça sobre a PEC do Teto dos Gastos.

O debate do ajuste nas contas municipais reflete em parte a discussão que ocorre nos Estados e no governo federal, que planeja aprovar duas grandes reformas para ajustar as contas e tentar reduzir, no médio prazo, o aumento explosivo do endividamento público.

Como tem lembrado o presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), em suas entrevistas, antes da disputa entre peemedebistas e tucanos sobre quem será ou terá candidato ao Palácio do Planalto em 2018, será necessário que os partidos que atualmente orbitam o governo do presidente Michel Temer apoiem o ajuste do Planalto. Do contrário, há o risco de nenhum desses pretensos candidatos serem preteridos pelo eleitor na próxima sucessão presidencial.

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