Avalizado pelo mercado, Temer não tem plataforma econômica clara

Avalizado pelo mercado, Temer não tem plataforma econômica clara

Na véspera de desembarcar do governo, PMDB ainda engatinha na apresentação ao País do programa que deseja adotar caso assuma a Presidência com o vice

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

28 de março de 2016 | 19h23

(Michel Temer e Renan Calheiros-Dida Sampaio/Estadão)

(Michel Temer e Renan Calheiros-Dida Sampaio/Estadão)

O PMDB já decidiu desembarcar do governo petista de Dilma Rousseff na convenção marcada para esta terça-feira (29). Só não se sabe ainda qual será a modulação da retirada de apoio à Dilma, se unânime ou por maioria. A despeito das razões objetivas e políticas para o afastamento do governo, o partido ainda engatinha na apresentação ao País do programa que deseja adotar caso assuma, com Michel Temer, a Presidência da República.

Do que se apresentou até agora, por meio de documentos ou de declarações e conversas entre integrantes da cúpula peemedebista, a legenda tem acenado com uma genérica agenda de medidas seguindo a cartilha econômica liberal: reformas da Previdência e tributária, além de uma política de revisão de subsídios, para a população e empresariado.

Consta ainda uma dita intervenção no Sistema Único de Saúde (SUS), sem explicitar o que isto significa. Em agosto passado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou a propor a cobrança do SUS quando lançou sua Agenda Brasil, medida duramente criticada e logo em seguida abandonada. A abrangência dos programas sociais deverá ser revista para focar nos 10% mais pobres da população. O financiamento estudantil, Fies, seguirá regras mais rígidas.

Por ora, o eventual governo do PMDB tem se fiado principalmente na trégua que o mercado e o empresariado daria para uma gestão Temer. Também se baliza na montagem de um ministério de “notáveis”, com uma série de candidatos para comandar a área econômica, e numa aliança PMDB-PSDB para um eventual governo de coalizão.

No máximo, o que se tem é o documento “Uma Ponte para o Futuro”, sintetizado pelo aliado do vice, Moreira Franco, que defende – sem se aprofundar – a retirada da indexação de gastos públicos e a desvinculação das receitas do orçamento da União.

Nada ainda se falou sobre a reforma fiscal a fim de melhorar a situação de queda acentuada das receitas e aumento da dívida bruta brasileira. O que fazer também para reanimar a economia tampouco está claro.

O desafio é gigante, mas as soluções postas na mesa até agora não mostram como enfrentá-las. Não tem fórmula mágica. Muitas das medidas de ajuste fiscal, como alta de impostos, hoje criticadas pelo partido, têm tudo para serem levadas adiante.

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