“Centrão” entra no leilão de cargos. Reformas? Só depois

“Centrão” entra no leilão de cargos. Reformas? Só depois

Partidos médios e nanicos são assediados para votar a favor ou contra impeachment da Dilma. Discussões envolvem cargos e verbas, mas não ações para melhorar a economia

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

01 de abril de 2016 | 19h50

(Ciro Nogueira/Lia de Paula-Agência Senado)

(Ciro Nogueira/Lia de Paula-Agência Senado)

Poderia ser brincadeira de 1º de abril, mas a verdade é que há um centrão político composto por 40% da Câmara que não tem demonstrado preocupação em resolver a crise econômica do País. O interesse maior de cerca de 200 deputados distribuídos por 11 legendas tem sido leiloar os votos a favor ou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff em troca de cargos ou verbas para os respectivos redutos eleitorais.

O governo busca garantir ao menos 172 votos para impedir a aprovação do afastamento da petista na Câmara. A oposição liderada pelo PSDB e mais parte do PMDB – principalmente aquela próxima ao vice Michel Temer e ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – querem conquistar ao menos 342 votos para admitir a abertura do processo contra a petista.

Os dois lados dizem que estão quase lá, apesar de o vento ter soprado no início da semana favoravelmente para Temer, com a aprovação do desembarque oficial do governo, e virado para o governo, com a frustrada saída dos peemedebistas (só um de sete ministros deixou o cargo) que levou provocou reações de que o vice foi precipitado e trama um golpe para derrubar a presidente.

Nessa esteira, o PP é a síntese das crises. Partido com o maior número de investigados na Operação Lava Jato, inclusive seu presidente, o senador Ciro Nogueira (PI), o partido foi o que mais cresceu na “janela partidária” encerrada no mês passado, de 40 para 51 deputados federais. Tornou-se a terceira maior bancada da Câmara, à frente até do PSDB.

Assediada pelos dois lados, a legenda pode retirar dos peemedebistas o principal ministério da Esplanada em recursos, a Saúde, para garantir votos para Dilma. Esse cortejo, contudo, não está ligado a qualquer compromisso programático.

Os partidos condutores do processo político do País – PT, PMDB e PSDB – têm empregado energia na disputa de poder, enquanto não há propostas claras para combater o desemprego e reduzir a inflação – para ficar em dois problemas econômicos mais caros ao cidadão comum.

Reformas? Ajuste? A linha dessas mudanças será dada por quem agraciar melhor o centrão. Semana que vem o leilão entrará na sua fase decisiva, afinal faltam duas semanas para a votação que definirá o futuro da política brasileira.

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