Com agenda próxima a do PSDB, PMDB ensaia desembarque do governo

Com agenda próxima a do PSDB, PMDB ensaia desembarque do governo

Mesmo a ala mais próxima ao governo, partido se aproxima do receituário tucanos e dá sinais de que pode romper com Dilma em breve

Ricardo Brito e Adriana Fernandes

10 de março de 2016 | 13h33

(Michel Temer/AFP)

(Michel Temer/AFP)

O simbólico gesto da cúpula do PMDB do Senado de encerrar o dia de ontem com um jantar com senadores tucanos, após iniciá-lo com um café da manhã com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indica que a parte da legenda que mais sustentou no Congresso a presidente Dilma Rousseff até agora dá sinais de que poderá sim apoiar a interrupção do mandato da petista.

Embora a perspectiva é que a mudança de orientação não se concretize já na convenção do PMDB marcada para sábado, véspera dos protestos contra Dilma, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e aliados têm avaliado reservadamente que o governo não sai das cordas mesmo com todo o apoio que tem emprestado. O sentimento é de cansaço e que, por instinto de sobrevivência, não ficarão eternamente num barco adernando.

Dois indicativos políticos mostram a fadiga: peemedebistas como Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR) nem fizeram questão de ficar até o final do ampliado encontro de ontem com Lula e a reaproximação de todo o grupo com o presidente do partido e vice-presidente, Michel Temer.

Por isso, os dois lados costuram apresentar um documento para, em vez de desembarcar do governo, liberar o voto a favor do impeachment de Dilma.

Mesmo ainda se mantendo fiel ao governo e próximo a emplacar um terceiro ministro deputado (a Aviação Civil), o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), admitiu recentemente em conversa com investidores que a presidente corre risco de não terminar o mandato.

Desde o ano passado, o PMDB – e aí tanto Temer quanto Renan – tem defendido e adotado uma agenda econômica mais próxima dos tucanos: mudança no marco do pré-sal, necessidade de reforma da Previdência e contenção de gastos públicos, inclusive com medidas drásticas para o funcionalismo público, um dos esteios da gestão petista.

A dificuldade maior do partido é, em meio a investigações que envolvem Renan, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a campanha de Dilma e Temer (que pode cassar a chapa), se manter aliado a um PT que pode ter Lula reforçando o governo ou buscar saídas via impeachment, um parlamentarismo branco (que já ocorre) ou de direito (reduzindo legalmente os poderes da presidente). Nesses três cenários, o senador tucano José Serra (SP) aparece como peça importante.

Um complicador adicional é que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), prefere uma solução que o mantenha no páreo. Por isso, a preferência dele é pela saída da prescientes e do vice após cassação da chapa com novas eleições presidenciais.

Num gesto ao PMDB, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em discurso hoje disse que vem trabalhando para atender as demandas do partido e do PT – partidos que têm feitos críticas à condução da política econômica. A equação para a saída da crise é complexa, mas sempre terá o PMDB como ator decisivo.

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